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Você prefere literatura nacional ou estrangeira?

Por: Bernardo Stamato

6 de junho de 2017

Olhe pra sua estante de livros e me diga quantos foram escritos por brasileiros, quantos foram traduzidos pro português e quantos estão em outro idioma. Provavelmente a maioria não foi escrita originalmente no nosso idioma – e eu não te julgo por isso. Inclusive, aposto que o Brasil não é o único país que sofre dessa tradição profana. Mas já parou pra pensar a respeito desse assunto? Pois está na hora.

Como o Artur Vecchi confirma em seu artigo sobre “As dificuldades para o autor nacional”, competir com títulos que foram ou serão adaptados pra cinema, pra televisão ou pra algum serviço de streaming é desleal. Ande numa livraria e separe dois livros, um nacional e outro internacional – primeiro que você vai achar dezenas de internacionais logo na entrada e vai ter que dar uma procurada no nacional. Veja quantos jornais estrangeiros de renome e até mesmo quantos blogueiros brasileiros elogiaram o livro importado, ou se ele originou algum filme ou série, ou se ele simplesmente é uma releitura de um jogo famoso. Então, olhe pro livro nacional e o que você tem? Provavelmente nenhuma garantia de que a leitura valerá seu dinheiro e tempo, a não ser uma promessa entre outras milhares.

E um livro bestseller do New York Times não é garantia de qualidade. Sinceramente, por que a opinião dos EUA sobre literatura seria importante? Eles sabem fazer adaptações de cinema, mas produzem pouquíssima literatura. Pense nos grandes autores. J. R. R. Tolkien, Jane Austen, Tolstói, Miguel de Cervantes, Dostoiévski, J. K. Rowling, Gabriel García Márquez, C. S. Lewis, Kafka, Lewis Carroll, George Orwell, Dante Alighieri, Shakespeare, nenhum deles é estadunidense. Lógico que os EUA têm excelentes escritores, como Edgar Allan Poe, Robert E. Howard, H. P. Lovecraft, George R. R. Martin e Suzanne Collins, mas são só um punhado de exceções se olharmos pra nossa estante.

Não é irônico ainda ser arriscado apostar num autor brasileiro (tanto pra editora quanto pro leitor), se lemos livros de todos os cantos do mundo? Como tudo no Brasil, a gente encara o triplo de desafios, o triplo de impostos e nem metade da recompensa, seja financeira, seja apenas mérito. É injusto? Provavelmente. Podemos mudar isso? Talvez, se pararmos de comprar qualquer bestseller do New York Times e se buscarmos a mercadoria que tem mais chances de nos agradar. Lógico que vamos continuar lendo os livros de Star Wars e vamos continuar presenteando nossos sobrinhos com livros de Minecraft. Mas quando pensamos no que realmente queremos ler, provavelmente já existe um livro muito bom dentro desse tema e escrito por um brasileiro, só precisamos descobri-lo.

Pra saber mais detalhes a respeito das dificuldades que o autor nacional enfrenta, confira o blogue da AVEC Editora. É um excelente esclarecimento sobre o assunto, tanto pros novos autores quanto pros leitores.

E tenha um bom dia e, obviamente, uma boa leitura!

Autor: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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