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Shonen: Como consertar o maior defeito do gênero mais famoso dos animes?

Por: Bernardo Stamato

27 de dezembro de 2017

Eu adoro mangás e animes, mas tem uma coisa que me incomoda muito: a escala de poder dos shonen. Os heróis e vilões vão ficando mais fortes e… A história fica só nessa. Uma nova temporada, um vilão mais forte do que todos os outros e o herói vencendo só com uma magia nova, um novo nível de sayajin ou digevolução ou só ficando mais forte mesmo. É repetitivo demais. Mas alguns animes conseguem driblar esse problema de forma inteligente, por isso hoje eu vou analisar 5 formas de consertar o maior problema dos shonen! Começando por…

Objetivo definido nos Shonen

Já reparou que o primeiro episódio de qualquer série nos apresenta os personagens, o clima e o objetivo da história? Um bom exemplo é Fullmetal Alchemist, que logo de cara mostra o Ed e o Al, a Alquimia e a Pedra Filosofal. Não importa se esse objetivo vai ser alcançado, mas ele dá um norte pra história. Muito antes do Fullmetal acabar, encontrar a Pedra Filosofal não é mais o foco, mas é tudo sobre curtir a viagem.

FMA sempre tem um objetivo claro e alguns mistérios pra manter a história quente, como se tornar um alquimista federal ou invadir uma prisão que fez experimentos com a Pedra Filosofal, descobrir o que aconteceu na guerra de Ishval ou a verdade sobre o pai dos irmãos Elric. No fim do anime, o vilão é tipo um deus encarnado – muito épico -, mas não foi isso que sustentou a história até o final.

Limite de poder dos Shonen

Lembra como era divertido ver o Goku contra lutadores normais antes dele criar genkidamas maiores do que prédios ou ver os ninjas de Naruto usando inteligência e tática em vez de só invocador um meteoro do céu. Esse tipo de poder é muito show, mas pode ficar redundante quando aparece um novo personagem muito mais poderoso na próxima temporada. Um bom exemplo é Boku no Hero Academia, que logo no começo apresenta um personagem que joga o outro pro céu, mas deixa claro que ele é o parâmetro.

Como eu disse, é tudo uma questão de curtir a viagem, e Boku no Hero não cria novos limites a cada dez episódios, então a gente já sabe o nível de poder que os heróis vão chegar e a escala não fica redundante.

A Escala da Escala dos Shonen

Um dia, o Goku se tornou o guerreiro mais forte do mundo. Daí apareceu o Freeza, o Goku virou super sayajin e se tornou o mais forte do Universo. Depois o Gohan virou super sayajin 2 e venceu o Cell, o Goku virou super sayajin 3 e venceu o Boo e agora tem super sayajin deus e não sabemos qual é o próximo nível e continuamos fingindo que o super sayajin 4 nunca existiu. Criar uma escala de pode pra depois criar outra não melhora em nada a história.

Por outro lado, lembra de Super Campeões? Tudo começa com clubes pequenos e termina com a galera entre os melhores do mundo, nas ligas da Europa! Dá pra comparar o crescimento dos times e das ligas dos Super Campeões com os níveis de super sayajins do Dragon Ball, eles nos mostram que os personagens chegaram num novo patamar, com a diferença que Super Campeões não precisou apelar pra torneios multidimensionais pra ser um anime lendário.

Sistema de poder dos Shonen

Se ficar mais poderoso quer dizer dar um soco mais forte, o anime perde a graça antes de dez episódios. Ficar mais poderoso é ter mais conhecimento e mais experiência pra usar os poderes ao seu favor. Cada vilão de Jojo’s Bizarre Adventure é muito mais poderoso do que os heróis, mas eles conseguem vencer encontrando brechas e fraquezas coerentes ao sistema de poder apresentado. A batalha fica muito mais interessante do que só uma magia mais forte do que a outra e até os personagens mais fracos podem ser úteis às vezes.

Até quando o Yajirobe cortou o rabo do Vegeta com uma espada, a gente viu que um personagem fraco pode ser útil, o que já não rola há muito tempo no Dragon Ball, né.

Arcos autocontidos nos Shonen

Uma opção pra manter uma história divertida e lidar com tudo isso é arcos autocontidos. Posso citar Dragon Ball Z de novo, tivermos a saga dos Sayajins, do Freeza, do Cell e do Boo e cada uma nos deu bons motivos pra assistir do começo ao fim, mas o melhor anime com arcos de história autocontidos é One Piece. Cada nova ilha dá uma porrada de personagens, conflitos, histórias e até mesmo novos gêneros, que não deixam o anime envelhecer.

O sentimento de aventura e exploração e falta de linearidade faz com que a narrativa não enjoe nunca. A gente até se pergunta quando que vai acabar, só não estamos com pressa pra que esse dia chegue.

Por que gostamos de shonen?

No fim das contas, o problema não é excesso de poder, e sim a perda dos elementos que realmente nos fazem gostar do anime no começo. É legal ver o Yusuke Urameshi aprender a dar leigan várias vezes por dia e a usar os poderes de yokai, mas a gente assiste a Yu Yu Hakusho porque é legal ver como ele lida com o mundo espiritual e com o nosso mundo, pra descobrir quem é o pai dele, pra ver as histórias de cada um dos personagens e não só pra saber quem vai vencer o próximo Torneio das Trevas.

E agora que eu já tagarelei, quero saber a sua opinião. Diz aí nos comentários quais mangás e animes você acha que sabem usar os poderes e os personagens. Solta o verbo!

Autor: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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