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Shadowrun: quando elfos usam metralhadoras e anões forjam robôs

Por: Luiz Lindroth

19 de fevereiro de 2018

Em Shadowrun, um dragão poderia o presidente do Brasil

Nos cenários de RPG, a maioria das ambientações se encaixa em duas categorias: medieval ou futurista. Fantasia medieval é o estilo do clássico Dungeons&Dragons, com elfos muito bons em arqueria e feitiços, anões mestres de forjas, orcs selvagens e humanos presos no meio disso tudo tentando achar seu lugar. Cenários futuristas mandam o jogador muitas décadas ou séculos no futuro (dããã) e o colocam em uma sociedade, geralmente distópica, onde a tecnologia evoluiu até o ponto dos poderes e magias das fantasias poderem ser reproduzidos sem a necessidade de habilidades mágicas. Mas o que acontece quando você mistura esses dois arquétipos?

Dragões políticos, elfos com metralhadoras e anões com doutorado em robótica. E isso é apenas um pouco do que se trata Shadowrun. O sistema uniu os dois principais estilos de ambientação dos jogos narrativos quando em 2011, de acordo com o livro básico, crianças de pais humanos começaram a nascer com orelhas pontudas ou então com corpos menores e mais robustos. Nasciam os primeiros elfos e anões (da forma como entendemos a palavra anão na fantasia, não pessoas que sofrem de nanismo). Naquele mesmo ano, na véspera de Natal, um dragão oriental foi avistado saindo do seu covil no Monte Fuji. A vida no nosso mundo comum não existia mais da forma como a entendíamos, mas as nossas questões sociais não deixaram de existir. Pensem comigo, se já existe racismo contra pessoas de etnias diferentes, agora imagine o que essas crianças que nasceram elfas e anãs sofreram. Quais são as consequências de um dragão de repente aparecer voando nos céus do nosso mundo que, até onde nós sabemos, não possui provas concretas da existência de magia?

De onde você acha que Bright tirou inspiração?

Jogue algumas décadas a mais dessa confusão e você terá um mundo praticamente irreconhecível do nosso, mas ainda com aquela sensação de que, não importa o quão diferente seja, as coisas nunca mudam de verdade. Quem tem mais poder é quem manda, mas em vez de empresários e políticos de meia-idade, agora quem dá as ordens são dragões e criaturas mágicas de alta influência. A tecnologia seguiu seu trajeto de avanços até o ponto dos conhecidos romances cyberpunk, criando aquele mundo onde grandes corporações mandam em tudo e as pessoas comuns não tem muito a fazer além de trabalhar incansavelmente e rezar para que o sistema que elas mantêm não as esmague.

Mas são todos que vivem nessa situação deprimente? Não, claro que não. Além dos ricos e poderosos que se beneficiam desse sistema muito bem ajustado para defendê-los e servi-los, existem também aqueles que não fazem parte das engrenagens do sistema. Os dissidentes que, por estarem de fora da máquina que move o mundo, conseguem ver como suas peças funcionam, os shadowrunners. Criminosos e marginais em geral, eles vivem nas beiradas da sociedade trabalhando como mercenários na guerra oculta que os poderosos travam entre si o tempo todo. Quem tem poder sempre deseja mais e os shadowrunners proporcionam a mão de obra especializada necessária para que essa disputa continue pegando fogo. Desde que sejam muito bem pagos, obviamente. E esses são os personagens que os jogadores encarnam em Shadowrun: especialistas nas mais diversas áreas que trabalham para os ricos em suas guerras particulares em troca de dinheiro, reconhecimento ou favores.

É um mundo arisco e sem paciência pra quem não pensa direito no que faz. Qualquer decisão idiota que o jogador tomar pode ser o fim do personagem, a morte está sempre atrás da próxima esquina, da próxima briga, da próxima pessoa quem você insulta. E tudo isso, como eu disse antes, misturando a fantasia e a magia de obras como O Senhor dos Anéis com a tecnologia absurda de filmes como Ghost in the Shell e Blade Runner. Um rpg, na minha sincera opinião, bem criativo e diferente dos moldes comuns que as pessoas estão acostumadas a ver.

Caso queiram saber mais do que eu acho desse sistema incrível, lançado no Brasil pela New Order Editora, basta assistir ao vídeo já linkado aqui na página.

Um abraço a todos e os vejo no próximo texto!

 

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