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Quem Cria a Narrativa do Jogo Digital?

Por: Bernardo Stamato

11 de abril de 2018

É fácil o jogador ignorar o planejamento e o desenvolvimento na criação de de uma narrativa digital. Inclusive, muitos jogadores menosprezam o modo história ou campanha num jogo, mas curiosamente jogos sem essa opção costumam vender abaixo das expectativas e ser criticados negativamente. Afinal, qual é a importância da narrativa num jogo digital?

No final de um bom jogo, os jogadores querem jogar mais. Não é só a boa jogabilidade que deixa ansioso por mais. É a história. E se você tiver controle total sobre todos os aspectos de uma narrativa?

Em Second Life, os jogadores criam uma narrativa digital com total liberdade

No romance e filme Jogador Nº 1, de Ernest Cline, cada pessoa tem a oportunidade de criar sua própria narrativa de sua própria vida como quiser. No ano de 2044, o mundo “real” entrou no caos à medida que os recursos naturais se esgotaram, o ambiente se tornou hostil e tentar existir de alguma forma é quase impossível, se você não for rico. Agora, quando Wade Watts, o protagonista, ou qualquer um dos outros cidadãos dessa terra futurista, quer escapar da miséria da sua realidade, eles jogam videogame.

O Oásis é o videogame que todos possuem, mas não é só um videogame, é um novo modo de vida e uma nova forma das pessoas trabalharem e se comunicarem. Como uma rede social, mas gamificada como um MMORPG com missões e tudo mais. Como uma fusão entre Facebook e World of Warcraft.

O que é mais peculiar pra mim é o quão “dentro” do videogame um usuário pode estar. Este livro cria uma maneira completamente nova de socializar com o mundo ao nosso redor. Ele oferece aos usuários a oportunidade de viajar no tempo e no espaço sem sair do conforto da sua cadeira. Até mesmo na hora de conversar e interagir com os usuários, você pode manipular sua voz pra que os outros ouçam uma voz diferente.

Em Assassin’s Creed, o jogador viaja no tempo explorando a guerra entre Assassinos e Templários

Este livro pegou o que os videogames fazem e transformou em realidade. Os videogames são desenvolvidos com histórias e personagens que são capazes de mudar quem você é – de certa forma – pra que você possa interpretar uma narrativa. Essa narrativa pode ser pré-planejada – como num jogo como Assassin’s Creed – ou uma narrativa que você cria baseada em decisões que você toma – como na franquia SIMs.

A coisa maravilhosa sobre videogames, e especificamente MMORPGs como World of Warcraft ou Second Life, é que cada jogador tem controle total, ou até de certa forma autoria, sobre cada aspecto do personagem e narrativa que ele cria nesse mundo.

Se duas pessoas jogaram o mesmo jogo, elas podem compartilhar suas experiências e notarem que cada uma teve um ponto de vista totalmente diferente. O passado do seu personagem é importante? Como ele se relacionou com cada NPC? O jogador se interessou na história política do mundo virtual? E pela cosmologia? Entrou em algum fórum de discussão e leu sobre as teorias dos outros jogadores? É a narrativa que promove o maior nível de imersão em qualquer produto, seja um jogo, um livro ou filme.

Em Dragon Age, cada decisão do jogador pode alterar a narrativa digital

Criar uma história dentro do mundo dos videogames é como dar a cada pessoa a chance de escrever uma narrativa que, de outra forma, não existiria. Assim como na escrita, criamos uma narrativa inteira em torno de um personagem e um mundo da nossa imaginação.

Ou seja, jogar uma narrativa digital é como escrever e personificar sua própria história.

Author: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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