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Precisamos falar sobre Perdidos no Espaço

Por: Heloisa Castro

25 de abril de 2018

A Netflix fez de novo! Perdidos no Espaço traz uma roupagem moderna e uma produção de tirar o fôlego! Uma homenagem de respeito à icônica série original de 1965.

Quando um remake ou um reboot é anunciado, costumo sentir um abismo tomando conta do meu estômago. A primeira coisa que vem à minha cabeça é “NÃO! ELES NÃO PODEM ESTRAGAR ESSA OBRA MARAVILHOSA!”. Não foi muito diferente quando a Netflix anunciou Perdidos no Espaço. Ainda que o serviço de streaming tenha acertado mais do que errado em suas produções, mexer com uma série tão marcante para tantas pessoas poderia ser um erro – e um grande prejuízo. Mas o Perdidos no Espaço de 2018 é aquela produção que definitivamente deu certo. E eu vou te contar – sem spoilers – o porquê.

A série original foi ao ar entre 1965 e 1968, em plena corrida espacial ocasionada pela Guerra Fria. A história foi baseada no romance Robinsons Suíços, do escritor Johann David Wyss – 1812 -, que conta as aventuras de uma família que precisa sobreviver em uma ilha deserta, após ter resistido a um naufrágio. A série dos anos 1960 se inicia no ano de 1997, quando a Terra enfrenta um sério problema de superpopulação. Por causa disso, os Robinsons são enviados em um missão colonizadora de 5 anos. O objetivo era encontrar um novo planeta habitável para os seres humanos. Mas as coisas começam a dar errado quando um espião de um governo inimigo entra clandestinamente na nave, sabotando-a e fazendo com que a família precise encontrar uma outra forma de voltar para casa.

Perdidos no Espaço: Série Original

Na versão da Netflix, os Robinsons têm problemas maiores e mais reais. A Terra não enfrenta um problema populacional, mas sim, alienígena. A queda da chamada “Estrela de Natal” deu uma data de validade ao planeta, forçando missões de colonização espacial, a fim de transferir seres humanos considerados “úteis” para um novo mundo: a Alfa Centauro. Já a família não é, nem de longe, perfeita. A mãe, Maureen, tem uma filha de um relacionamento anterior e está em processo de divórcio com John, pai adotivo de Juddy e pai biológico de Penny e Will. Os irmãos, por sua vez, vivem as consequências da ausência do pai durante parte importante da sua infância, e de uma mãe superprotetora que cobra demais dos filhos. Entre si, as crianças lidam com a competição e com a necessidade de serem os melhores o tempo inteiro, sempre com responsabilidades que parecem grandes demais para sua pouca idade.   

Perdidos no Espaço: Os Robinsons

Esqueça o agente secreto infiltrado para sabotar a nave: na nova versão de Perdidos no Espaço, Dr. Smith é uma mulher, criminosa, dissimulada, golpista e com traços psicopatas. E, se na série dos anos 1960 os Robinsons tinha um robô desenvolvido para ajudar em sua missão, na versão atual a máquina é alienígena, está envolvida em um mistério sangrento e é potencialmente problemática.

Os conflitos familiares são profundos, bem como os próprios personagens. Mais do que uma produção Sci-Fi, Perdidos no Espaço aborda as relações humanas, os valores familiares e os enfrentamentos cotidianos que permeiam a vida de qualquer tipo de pessoa. Desde os próprios Robinsons até a vilã da história, todos os personagens sofrem fortes influências das experiências que têm ou tiveram com suas famílias. Isso é genial, principalmente por ser incorporado ao fio condutor da série, sem transformá-la em um super drama familiar. É como nos ver em um espelho: problemas pessoais que acontecem paralelamente às questões que surgem no trabalho, na vida social etc.

É preciso destacar também as personagens femininas. Maureen é PhD em engenharia, uma gênia das exatas, bem como praticamente mãe solteira – já que John passou mais tempo ausente do que sendo pai das três crianças. Juddy é a irmã mais velha, forte, guerreira, safa, negra e médica formada aos 18 anos. Penny, a irmã do meio, é um alívio cômico nada ingênuo; ela é forte, o ponto de equilíbrio da família, decidida e criativa, muito inteligente. Todas escolheram ser aquilo que são, fazem-o muito bem e, o principal, são felizes com isso.

Dr. Smith é a vilã da nova versão de Perdidos no Espaço

É muito interessante observar a evolução dos personagens. A cada episódio eles se tornam menos caricatos e mais humanos. Não há ninguém perfeito, todos têm qualidades e defeitos, incluindo a vilã Dr. Smith. Os mistérios também se desenrolam fluidamente durante a temporada, que é bem cadenciada. A transição das cenas de ação e tensão para as emotivas e com diálogos importantes, acontece no timming correto todas as vezes. Isso facilita as maratonas, tão incentivadas pela Netflix.

Os desfechos e viradas são bem amarrados. Os núcleos interagem menos do que talvez pudessem fazê-lo, mas levei em consideração que ainda estamos na primeira temporada e que, só no núcleo principal, são 7 personagens para apresentar e desenvolver. Os efeitos são excelentes, cinematográficos. As referências presentes em Perdidos no Espaço também são muito boas: Jurassic Park, Alien vs Predador, Star Trek e alguns easter eggs, como o ator que originalmente interpretou Will no papel do verdadeiro Dr. Smith. Em suma, são sutilezas que deixam a série ainda mais gostosa de assistir.

Perdidos no Espaço não tem a pretensão de ser uma cópia da versão de 1965. A proposta é trazer o tema para a atualidade, com muita ciência, humanidade e aventura, em um perfeito equilíbrio entre uma possível realidade futurista e um universo completamente intangível. Você vai rir, vai prender a respiração, vai sentir raiva da vilã principal, vai torcer pelos bonzinhos e todos os outros clichês que nós adoramos sentir quando assistimos uma boa produção. Perdidos no Espaço simplesmente entrega, com louvor, todas as expectativas que promete. 

Com o final do último episódio é impossível não pedir a renovação. Já quero a segunda temporada!

E você? Curtiu a série? Conta aqui nos comentários!

Author: Heloisa Castro

Também conhecida como Diana Organa Granger. Concebida para ser a nerd da família, louca por livros, que se infiltra em salas de cinema e viaja entre mundos. Amante da culinária por necessidade e incapaz de escolher apenas um universo fantástico para amar. Conta uns causos da vida aqui: https://goo.gl/UjVcMf

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