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O Perfume: A história de um assassino – Do Livro Ao Longa

Por: Gabriela Coiradas

22 de março de 2018

Há pouco tempo, a Netflix anunciou que produzirá uma série baseada na obra “O Perfume: a história de um assassino”, do autor alemão Patrick Susskind.

Essa mesma obra já foi para a tela grande em 2006, uma produção europeia e direção alemã. É dessa adaptação que vamos falar hoje!

O best-seller

O livro de Suskind, publicado em 1985, é um fenômeno. Foi traduzido para 40 idiomas e vendeu mais de 15 milhões de exemplares no mundo inteiro.

E não à toa, pois o autor tinha um grande desafio nas mãos: transmitir ao leitor a sensação olfativa.

Como fazer com que as pessoas mergulhassem naquela história e entendessem tudo o que levou o protagonista a tornar-se o que se tornou?  A narrativa é tão realista que parece que estamos naquela Paris de 1700.

A história de um assassino

Perfume nos apresenta a Jean-Baptiste Grenouille, um homem que nasceu em meio aos piores odores de Paris (uma feira onde sua mãe vendia peixe), ironicamente dotado com um olfato sobre-humano.

Depois de sofrer em outros ofícios malcheirosos durante sua vida, Grenouille vira aprendiz de um grande perfumista, aprende todo o processo artesanal de fabricação e conhece as mais variadas fragrâncias.

Até o dia em que ele sente um cheiro diferente de tudo que já sentiu…

Obcecado pelo perfume de uma moça que ele viu na rua, sua vida de crimes começa quando ele tenta aprisionar o perfume dela para si, a fim de criar a fragrância perfeita.

A adaptação

O roteiro de Perfume não foi explorado pelo cinema hollywoodiano, justamente pelo desafio de conseguir produzir um filme baseado em olfato e memória olfativa. Mas o diretor alemão Tom Tykwer (lembra do Corra, Lola, Corra? É mão dele também!) abraçou a proposta. Não poderia ter sido melhor.

O desafio dos odores

O cuidado com os detalhes e o realismo que o diretor aplicou na película realmente traz à cabeça de quem assiste as fragrâncias da cena. Desde os lugares terrivelmente fétidos, como a feira de peixes e as fábricas de couro da época, até as experiências do protagonista em busca do cheiro perfeito, conseguimos sentir as sensações olfativas, imaginar os odores ao redor de Grenouille.

Escolha do ator

E falando no protagonista, o ator convence. Muito. Não consigo imaginar o personagem sem relacioná-lo a Ben Whishaw. O britânico não é muito conhecido por aqui, mas deveria.

Sua atuação é tão boa que muitas vezes nos vemos confusos quanto à natureza de Grenouille, com um rosto que expressa toda ingenuidade e sofrimento possíveis.

Vale lembrar que o personagem fala muito pouco durante a história, o que dificulta bastante uma adaptação visual (como também ocorre em A Forma da Água, por exemplo). Claro que contracenar com o Dustin Hofmann ajuda bastante.

Ritmo

Talvez o item da produção que peca um pouco. O filme é bastante longo (2h30), e em alguns momentos começa a ficar “arrastado”. Talvez se o diretor tivesse dado uma “enxugada” no roteiro, acabasse ficando mais dinâmico.

Série de TV

Como dissemos no começo, a Netflix anunciou este ano que produzirá uma série de TV baseada na obra, em parceria com uma produtora alemã. O elenco conta com Wotan Wilke Mohring (“Operação Valquíria“), August Diehl (“O Jovem Karl Marx“) e Friederike Becht (“Labirinto de Mentiras“).

A história se passará nos dias atuais. Será que vão conseguir transmitir tudo que Suskind conseguiu, ainda mais em um mundo como o nosso, que pouco presta atenção às sutilezas de um perfume?  Resta torcer.

Já viu esse filme? Qual sua opinião sobre a evolução do personagem principal? Conta pra gente!

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