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Noitário de A Todo Vapor! – Em Busca de Capitu

Por: Enéias Tavares

22 de dezembro de 2017

Na última entrada de 2017 do Noitário de Produção de A Todo Vapor!, Enéias Tavares conversa com Thais Barbeiro, não apenas a protagonista da websérie como uma das produtoras executivas. Nessa entrevista, além de sabermos mais sobre ela, descobriremos como está sendo interpretar a heroína mais importante da nossa literatura e como essa geminiana de Santos faz pra administrar a loucura de sua vida criativa!

Quando eu e Felipe Reis começamos a discutir o enredo de A Todo Vapor!, logo o nome Capitu veio à mente como a escolha óbvia para protagonizar o seriado, ao lado do aventureiro ocultista Juca Pirama. Porém, tal escolha também foi seguida de muitas preocupações: quem poderia interpretar a heroína machadiana com a força, a energia e o encanto que lhe são característicos? Quando Felipe me enviou a primeira foto de Thais, de súbito eu soube que ele tinha encontrado a Capitu ideal: a delicadeza do olhar, o sorriso sinuoso, os gestos doces e ao mesmo tempo firmes e… A tatuagem no braço direito! Se a ideia é termos uma Capitu retrofuturista, ali estava ela! Nessa conversa – parcialmente feita por E-Mail, Messenger, Whattsap e Skype – descobri mais sobre essa atriz e produtora que já admirava. Quem mais está louco pra saber o que ela fará com a mulher dos “olhos de cigana oblíqua e dissimulada?”

Thais, nos conte um pouco de quem você é por que faz o que faz.

Sou geminiana, mulher, menina, atriz, produtora e escritora. Completamente apaixonada pela natureza e seus muitos elementos. Eu vivo a vida de maneira intensa, regida pelos sonhos que despertam em mim. Na palavra, eu encontro o meu silêncio. No palco e nas telas, o meu grito. Sou nascida em Santos, e desde muito nova já comecei a carreira de atriz, com apenas 10 anos de idade, em 1993. Logo ganhei prêmios de atriz revelação e melhor atriz e percebi que era isso mesmo que eu queria fazer da minha vida. Fiz diversas peças de teatro, tendo trabalhado com nomes como Antunes Filho, Marcelo Caridade, Maria Pia Carone e Ademir Emboava. Além de atriz, comecei produzir em 2005, atuando no Grupo do Cordão, Ajom Marketing Promocional e depois na Produtora Cine Kings em 2015, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Atuei e produzi a série DDD21 com Felipe Reis, de quem sou amiga há mais de dez anos.

Audiovisual de super-herói no Brasil é algo ainda incomum, pra não dizer inédito. O que te levou a embarcar nesse projeto: a estética ou o roteiro?

Os dois. Adoro os heróis e heroínas da Marvel, que são minhas principais referências do gênero. Por outro lado, a ideia da série de fazer uma releitura de personagens da literatura brasileira num novo contexto com o objetivo de atrair os jovens e incentivar a leitura me fascinou. Foi isso o que mais chamou atenção na ideia de Brasiliana Steampunk. Adoro a estética que envolve toda série, as invenções de pessoas a frente do seu tempo, a releitura do que aconteceu. E acho incrível a Capitu sendo mostrada como uma mulher que defende outras mulheres, super feminista e empoderada.

A Todo Vapor é um projeto transmídia e transgeográfico, que envolve pessoas de vários estados – SP, RJ, DF e RS. Enquanto uma das produtoras executivas do projeto, como você faz para dialogar e organizar toda essa força de trabalho? Você usa algum software ou ferramenta digital específica para isso?

Uso o Google Drive e o Dropbox, além de Whattsapp e Facebook, que são grandes aliados. Hoje é impossível tocar um projeto dessa magnitude sem o uso da tecnologia e suas várias ferramentas. Em A Todo Vapor!, minha rede de contatos virtuais tem me ajudado a conseguir apoios culturais e uma verdadeira coligação de pessoas, amigos e profissionais, que estão entrando no projeto para nos ajudar, acreditando no sucesso da websérie.

Sabemos que todo projeto cultural apresenta seus desafios. Qual ou quais foram os maiores desafios de A Todo Vapor?

Fazer a primeira temporada inteira de uma série sem ter grandes verbas para necessidades mínimas como alimentação, transporte, figurino e tantas outras coisas. Estamos em mais de 80 pessoas entre elenco e equipe técnica, todos profissionais e engajadas, dedicando seu tempo e suas energias acreditando que este será o melhor projeto de nossas vidas. Estou conseguido muita coisa com a ajuda de amigos e com meu networking nas redes sociais. É difícil fazer arte sem grana no nosso país, mas com criatividade e determinação nada é impossível. E acho que desde o roteiro, passando pelas filmagens e chegando até a edição e efeitos especiais, criatividade e determinação são as palavras-chave desse projeto.

Eu sempre aprendo com tudo o que faço. Tenho muitos anos de experiência nessas áreas, e acho que nesse momento a série veio na hora em que eu estava realmente preparada para assumir esses desafios. E se antes eu falava de criatividade e determinação, agora falo de organização e disciplina, para não deixar uma carreira atrapalhar outra.

Falando agora da interpretação da Capitu, o que você está levando para a personagem? Como você vê a heroína criada por Machado de Assis e recriada em A Todo Vapor? Afinal, trata-se “apenas” da personagem feminina mais importante da nossa tradição. Como atriz, quais os desafios de interpretar Capitu?

A minha Capitu é forte, sensível, amiga, protetora daqueles que ama. A minha Capitu é decidida, lutadora. Não teme o perigo da morte e sim o perigo de ver uma injustiça em sua frente. Ela luta pelo bem das mulheres, da verdade, dos indefesos, das crianças, dos homossexuais e dos negros. A minha Capitu é um pouco de Machado, mas é muito mais de Enéias Tavares, de Felipe Reis e da atriz Thais. Em resumo: A minha Capitu é nossa, mas é minha também, pois estou vivendo com ela e nela todo o dia.

Finalmente… a Capitu de Thais Barbeiro – Foto de Petrichor Fotografia
Como cinéfila, quais são seus filmes/diretores preferidos e quais dessas referências você está levando para A Todo Vapor?

Eu amo muitos filmes e gêneros diversos. Mas para “A Todo Vapor!” tenho visto outras séries, e principalmente as séries da Marvel, tanto de filmes quanto as temporadas da Netflix. Capitu tem um leve quê de “Jessica Jones”, a meu ver. E um pouco da protagonista de “Quântico”. Nossa série tem muito de “Penny Dreadful” na parte de fotografia, e um pouco de “Tarantino” e “Guy Ritchie” nas cenas de luta.

Thais, adorei nossa conversa. Para mim, tem sido um prazer redescobrir Capitu através do teu olhar e da tua interpretação. Muito obrigado. Para finalizarmos, por que o Brasil precisa de uma série de TV com super-heróis brasileiros? Na tua opinião, por que os espectadores devem assistir A Todo Vapor?

Porque nosso país está envolto em injustiças sociais, preconceitos e nada mais valioso do que heróis nacionais que lutam para colocar um fim nessas injustiças. Gente como a gente, nomes importantes desde os tempos de escola. A Todo Vapor! é uma série para todas as idades. Os jovens terão essa força a mais para irem em busca de seus sonhos, enquanto os adultos vão se lembrar de suas leituras de colégio e vivenciar o novo, numa série que virá para mudar o conceito das séries nacionais. É por isso que todos nós estamos trabalhando!

Quer ver um pouco da Thais Barbeiro? Assista o seu REEL!

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E confira também as demais entradas do noitário, Montando o Vapor clicando aquiEncontrando as Peças clicando aqui, Deitando as Cartas clicando aqui e Encontrando Heróis.

Autor: Enéias Tavares

Enéias Tavares é o criador de Brasiliana Steampunk – Editora LeYa – e cocriador de Guanabara Real – Editora Avec –, duas séries ambientadas em um Brasil retrofuturista. É um dos coordenadores do projeto Bestiário Criativo na UFSM, onde ensina Literatura Clássica. Nas poucas horas vagas, escreve, caminha e pesquisa a História da Literatura Fantástica no Brasil, junto de Bruno Matangrano, para o projeto Fantástico Brasileiro. Ministra workshops de escrita de ficção e projetos transmídia, além de integrar e gerenciar o Grupo Epic.

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