Home » A TODO VAPOR! » Noitário de A Todo Vapor! – Definindo os Suspeitos

Noitário de A Todo Vapor! – Definindo os Suspeitos

Por: Enéias Tavares

5 de janeiro de 2018

Para abrir o nosso Diário de Produção de A Todo Vapor de 2018, Enéias Tavares trará algumas informações sobre tudo aquilo que bons super-heróis precisam numa história de suspense e aventura: vilões de meter medo! E para tanto, ele discutirá três grandes heróis da nossa literatura e outras duas inclusões de sua mente retrofuturista. Preparem-se para o demônio lovecraftiano Pamu e o ambicioso Lorde McHell, além de uma misteriosa Senhora e de um singular Sargento de Milícias!

Vamos falar sobre vilões? Você gosta deles? Odeia? Ou acha-os desnecessários, especialmente num mundo complexo e desafiador como o nosso, no qual forças econômicas, políticas e militares – quando não religiosas – fazem qualquer plano de dominação mundial parecer simplista e entediante? Eu confesso que, visto desta perspectiva, o debate parece sugerir que os dias de malignos doutores e insanos líderes demoníacos já passaram. Por outro lado, sou obrigado a rebater que vilões, assim como heróis, são metáforas mais do que necessárias para nossas vidas e imaginações. Sempre quando essa discussão vem à tona, lembro de uma frase célebre do autor vitoriano G.K. Chesterton, volta e meia citada por Neil Gaiman em entrevistas sobre a importância da literatura e da imaginação: “Contos de fadas são pura verdade. Não porque nos dizem que monstros existem, e sim porque nos mostram que eles podem ser vencidos.”

Quando me deparei com o enredo de A Todo Vapor!, cujo argumento foi concebido por mim e por Felipe Reis em horas e horas de áudios trocados no Whattsap, me dei conta de que precisaríamos de um vilão à altura dos nossos heróis, além de suspeitos que o orbitassem, mantendo o interesse e a curiosidade dos espectadores acessas durante toda a série. Para o primeiro, eu já havia definido que o demônio tentacular Pamu, O Venerável – que fez uma breve participação em A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison e que reapareceu no card game de Brasiliana Steampunk como uma entidade real e perigosa – seria fundamental para motivar uma seita assassina inspirada pelos arcanos do tarô. Mas e quanto aos suspeitos na liderança? Não seria bacana se tivéssemos outros monstros literários para abrilhantar nosso elenco?

Pamu e sua Encarnação em Cartas a Vapor (Potato Cat) – Arte e Design de Bruno Accioly

De saída, Leonardo Pataca – de Manuel Antônio de Almeida – me veio à cabeça: e se o nosso memorável Sargento de Milícias tivesse ido parar numa cidade do interior, assumindo um novo posto? Foi assim que chegamos ao Delegado Pataca. Na escalação do elenco, a escolha de Reis por Antonio Destro para dar vida aos dois personagens não poderia ser mais acertada. A trajetória de comediante de Destro caiu como uma luva ao aspecto mais zombeteiro de Pataca. Ao lado dele, teríamos o também engraçado oficial Crispim, um personagem coadjuvante de O Alienista, de Machado de Assis, e que em nossa websérie viria a ser interpretado por Paulo Balteiro.

Mas faltava ainda uma personagem – ou seria uma suspeita? – de peso ao lado desses dois personagens literários. Se já temos Capitu e Vitória Acauã na websérie, além de Rita Baiana na série literária, quem ainda faltaria? A resposta foi óbvia, pois tirando as heroínas de Machado e Azevedo, apenas uma nobre dama é revisitada com frequência em nossas escolas e livros: estamos falando de Aurélia Camargo, criada por José de Alencar em Senhora. No universo da websérie, Camargo – agora uma rica viúva – é uma das mulheres mais importantes de Paranapiacaba das Névoas e uma velha conhecida de Capitu de Machado. Para interpretá-la, Luciana Caruso foi uma escolha mais que feliz. Acho que o olhar firme e ao mesmo tempo delicado de Caruso dá o recado sobre o que significa para uma mulher do início do século XX as palavras independência e paixão.

Luciana Caruso como Aurélia Camargo, a Senhora de A Todo Vapor! – Foto de Fabio Ghrun

Para completar esse grupo, temos Lorde Henry McHell, o responsável inglês pela construção da malha ferroviária paulistana e um homem pragmático e com pouca paciência para subterfúgios. Ainda mais quando funcionários de sua empresa estão morrendo em enigmáticos rituais místicos. McHell dialoga com dois contos do universo de Brasiliana Steampunk. Um deles é Vitória, Bento e Mambá contra os Monstros de Ferro de Foz do Iguaçu, escrito em parceria com Alexandre Kalfeld, e o outro é Vitória e Benignus contra a Maquinaria Infernal, este publicado na coletânea O Último Gargalo de Gaia – Editora Lendari –, organizada por Mário Bentes. Com essa remissão, o universo transmídia da série começa a mostrar seu escopo de crítica social, sobretudo quando pensamos em como é comum estrangeiros explorarem o Brasil até hoje. Para dar vida ao principal suspeito dos crimes do tarô, Reis escolheu Yoram Blashkauer.

Todos esses personagens, direta ou indiretamente, orbitarão os Crimes do Tarô e os planos demoníacos – sendo eles reais ou imaginários – da entidade cósmica Pamu, o Venerável. Em breve, teremos entrevistas e fotos com todos eles, além de outras novidades envolvendo A Todo Vapor! Se você gostou dessa coluna, compartilhe em suas redes sociais e indique aos seus amigos. Nossa principal meta com esta websérie é criar algo inédito em nosso país: Um Universo de Super-Heróis que tenha a nossa cara e fale a nossa língua. Em outros termos, uma Liga Extraordinária totalmente Tupiniquim!

A Todo Vapor! no Facebook
A Todo Vapor! no Instagram

Brasiliana Steampunk no Facebook
Brasiliana Steampunk no Instagram
Brasiliana Steampunk Onde Comprar

E confira também as demais entradas do diário, Montando o Vapor clicando aquiEncontrando as Peças clicando aqui, Deitando as Cartas clicando aqui, Encontrando Heróis e Em Busca de Capitu

Author: Enéias Tavares

Enéias Tavares é o criador de Brasiliana Steampunk – Editora LeYa – e cocriador de Guanabara Real – Editora Avec –, duas séries ambientadas em um Brasil retrofuturista. É um dos coordenadores do projeto Bestiário Criativo na UFSM, onde ensina Literatura Clássica. Nas poucas horas vagas, escreve, caminha e pesquisa a História da Literatura Fantástica no Brasil, junto de Bruno Matangrano, para o projeto Fantástico Brasileiro. Ministra workshops de escrita de ficção e projetos transmídia, além de integrar e gerenciar o Grupo Epic.

[mashshare]