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LER – O Festival do Leitor foi ÉPICO

Por: Bernardo Stamato

23 de maio de 2018

A LER é o Festival do Leitor! Um festival sobre livros e ideias diferentes: acolhedor, instigante e, acima de tudo, aberto. O evento reúne autores, livrarias e editoras, juntando também peças, exposições, música, tecnologia e convidando os leitores pra passear e festejar por toda a experiência da leitura, das oficinas de escrita às conversas com escritores. Tudo gratuito. A LER foi criada pra estimular a paixão pela leitura de todos os jeitos e em todas as idades, de forma 100% interativa, reunindo todos os agentes da cadeia editorial e da economia criativa, fortalecendo o livro e a leitura, trazendo e trocando conhecimento durante quatro dias.

Eu estive nos quatro dias e procurei conhecer um pouco de tudo que o evento oferecia, incluindo a presença das editoras e dos lojistas, das oficinas e das palestras e agora vou falar de cada uma das minhas experiências.

Logo na entrada da Biblioteca Parque, o visitante encontraria o palco da Amazon e as estandes das editoras e dos lojistas. Os expositores que mais me chamaram a atenção foram as editoras Aquário, Malê, Revan, Rouxinol e Guardião. Sinceramente, não dei muita bola pras lojas Blooks e Leonardo Da Vinci, apesar delas serem excelentes exemplos de livraria, não acho que seja vantajoso comprar nelas nesses eventos. Pra mim, o legal mesmo é visitar as editoras, conhecer os lançamentos e conversar com editores e autores. Ainda mais quando as editoras oferecem livros tão criativos e interessantes, como o Anacrônicas – Contos mágicos & trágicos da Aquário, O Caçador Cibernético da Malê e As Lendas de Colina da Rouxinol, além dos autores independentes, como Bianca Landim com Rebirth: Os Novos Titãs e Thiago Drumond com Ascensão: Crônicas dos Orcs Negros.

Particularmente, achei a Editora Guardião, que estava na estande da Gibizeira, um espetáculo à parte. O catálogo no evento tinha tanto fantasia, com a coletânea Histórias Fantásticas do Guardião, quanto terror, com Dias não tão Mortos e Rio de Janeiro: Cidade de Terror e Medo, e até mangás, com Dream Lander e High Deathnition. O que me cativou foi o esmero no trabalho gráfico da Editora Guardião, sempre fazendo um trabalho único em cada publicação, cada uma com artes e design singulares e originais.

No palco do Espaço Cesgranrio eu assisti à palestra da Elisa Lucinda sobre Literatura & Empodeiramento e um ensaio de Shakespeare com Andréa Beltrão, Amir Haddad e Armando Babaioff. A Elisa Lucinda deu um espetáculo sobre representatividade através do seu discurso, através dos relatos dos absurdos que já presenciou e declamando poemas de protesto, provando que ela é literalmente uma diva não só no palco, mas também na cidadania. E o ensaio de Shakespeare foi uma aula de atuação e interpretação incrível, tanto por assistir aos atores encenando os diálogos clássicos quanto pelos comentários sobre o que cada personagem e cada fala simbolizam e o contexto em que o autor vivia.

Mas o que mais me chamou a atenção foram as oficinas. Tinha de tudo um pouco, como escrita criativa, marketing e roteiro pra quadrinhos. Vou falar um pouco das que consegui assistir.

Em “Ser um escritor publicado: existe editora certa?”, Leandro Müller explicou o que é e o que não é a autopublicação e mostrou os vários modelos possíveis, desde publicação por demanda, até financiamento coletivo, esclarecendo que um autor pode avaliar diversos modelos de propostas antes de publicar sua obra.

Em “E-book: mercado e oportunidade para autores, leitores e editores”, Camila Cabete explicou as várias plataformas de publicação digital, as diferenças e vantagens e também o público-alvo dessa mídia, um ótimo de estudo de caso muito vantajoso pra quem ainda não pode lançar em mídia física.

Em “Como a literatura explica quem somos”, Marcos Simas debateu sobre a origem dos leitores e como a leitura influencia nossas origens, nosso dia a dia, nossos hábitos e o mercado editorial como um todo, como por exemplo a escolha dos editores e a compra dos leitores.

Em “Marketing Digital: como divulgar seu livro”, Bruno Mendes desmistificou as ferramentas virtuais pra promover as próprias publicações. Assim como na palestra sobre como publicar, aqui foram apresentadas várias plataformas e modelos, cada uma com um objetivo e um público-alvo, que pode variar dependendo do tipo de obra a ser promovida.

Por fim, em “O novo papel do editor: do conteúdo às multiplataformas”, Mariana Rolier falou do trabalho de edição, dos vários profissionais do livro, do ofício textual e dos vários modelos de publicação, desde os gratuitos na internet, até dos bestsellers.

Também tive a oportunidade de ver um debate com Fernanda Young e Fabrício Carpinejar sobre sociedade e família, onde os dois apresentaram opiniões notoriamente divergentes, dando um exemplo de bom diálogo ao concordarem em discordar de forma harmoniosa. Ninguém precisou contrapor ninguém, eles davam suas opiniões, trocavam figurinhas e a plateia pôde ter o privilégio de rir, aplaudir e concordar ou discordar de quem bem entender.

 

Não posso deixar de citar o bate-papo com Affonso Solano e Eduardo Spohr, dois dos colossos da literatura fantástica no Brasil. Os autores das sagas O Espadachim de Carvão e Filhos do Éden falaram das suas inspirações, dos próximos livros, dos projetos transmídia que estão pra ser lançados e sobre suas origens como leitores, sempre com aquele carisma surpreendente que os dois têm pelos fãs.

A LER foi, em sua essência, um evento dos sonhos pra todos os leitores. Impossível alguém que gosta de ler não se sentir um pinto no lixo, podendo tanto comprar livros famosos nas grandes lojas, quanto livros independentes direto da mão dos autores, ou então assistir a palestras e oficinas que transbordaram de conteúdo ou encontrar atores e escritores famosos. No final do último dia, eu estava me perguntando quando será a próxima edição – provavelmente no final do ano ou ano que vem – e também estava papeando com alguns amigos, que foram procurando outras atrações – como a palestra do Ziraldo ou as mesas de RPG -, e todos saíram do evento plenamente satisfeitos.

Se você chegou aqui, acho que está bem claro que gosta de ler, né. Sendo assim, tenha certeza de que a LER foi um espetáculo, foi muito gratificante, foi realmente uma oportunidade singular pra todos nós, leitores.

Author: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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