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Jabá ou Não Jabá: Eis a Questão

Por: Bernardo Stamato

6 de outubro de 2017

Eu escrevo artigos pra internet já tem uns dez anos, sem brincadeira. Críticas de filmes e livros, traduções de artigos, contos, de tudo um pouco. E eu detesto entrar num site e um trailer de um filme abrir na minha cara. Que saco! Preciso esperar o trailer carregar pra fechar e finalmente começar a ler o que eu quero. Ninguém merece jabá. Mas peraí. Ninguém merece mesmo? Se você xinga mentalmente sempre que vê um jabá no seu navegador tanto quanto eu, que tal analisar essa questão com alguns novos pontos de vista?

O Lado Negro do Jabá

Sabe quando você gosta de um artista, mas aí ele assina um contrato e perde toda a sua personalidade? Tipo bandas underground que vão pro mainstream ou atores que começam fazendo a diferença na internet ou numa emissora menor, mas daí vai pra uma emissora grande e só repete aquela atuação óbvia e repetitiva? Pois é, pessoas mudam o seu conteúdo pra ganhar mais dinheiro, o que muitas vezes significa menos liberdade de expressão. O que nós, fãs, podemos fazer em relação a isso? Na boa, podemos simplesmente defecar e andar pros conteudistas que se vendem, simples assim. Eu simplesmente paro de ouvir uma banda ou acompanhar um canal no YouTube quando eu vejo que tudo gira em torno do jabá. E aí, a gente abre mão do conteúdo? Não, a gente acompanha aqueles que têm conteúdo de qualidade com ou sem jabá.

O Lado Branco do Jabá

Mas não podemos ser iludidos achando que o mundo funciona sem jabá. Vamos encarar os fatos: todos precisamos pagar as contas, até os músicos, atores e conteudistas. Felizmente, muitos deles escolhem patrocinadores coerentes com o seu conteúdo em vez de mudar o conteúdo pelo patrocinador. Dica: ouça a discografia do Metallica, observa quem era o produtor do momento e perceba como o estilo deles muda bastante dependendo de quem está trabalhando na produção. Então, faz todo sentido um youtuber de gameplay anunciar uma loja de jogos ou o Gaveta anunciar cursos de edição, oras.

A Verdade Sobre o Jabá

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Todos nós crescemos assistindo televisão e aceitando os comerciais, que são a exata mesma coisa, É até pior, porque corta o programa no meio! Isso sim irrita. Então a gente pode ver um programa picotado de propagandas na tevê, mas xingamos nos comentários porque um artigo ou um vídeo foi patrocinado? Mantenho minha palavra, se o conteúdo ficou uma porcaria por causa do jabá, dá deslike, xinga nos comentários, dá unfollow e segue sua vida. Mas não dá pra xingar todo o jabá, tanto quanto nós temos nossa liberdade de seguir quem queremos, os conteudistas também promovem a publicidade que querem, só precisamos selecionar quais se mantiveram fiel ao próprio conteúdo.

A Sua Opinião

Você recusaria dez mil reais pra fazer um anúncio de um minuto? Faria um anúncio de dez minutos por muito menos? Prefere pagar Netflix e Spotify pra se ver livre de publicidade? Ou tem a doce ilusão de que a internet sequer existiria sem o jabá? Nós, conteudistas, somos livres pra falarmos o que quisermos tanto quanto você tem o poder de dar a sua opinião nos comentários. Solta o verbo!

Autor: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural “Eu, Criatura” da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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