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Fullmetal Alchemist: Netflix acertou dessa vez?

Por: Bernardo Stamato

20 de fevereiro de 2018

Adaptações de animes sempre dividem a opinião do público. Death Note teve quatro filmes japoneses e um estadunidense, cada um com uma avaliação diferente, Samurai X já tem uma trilogia aclamada, No Limite do Amanhã foi elogiado, mas quase ninguém sabe que se trata de uma adaptação e agora o Netflix disponibilizou o aguardado live action do Fullmetal Alchemist.

Seja você fã de animes, fã de cinema japonês ou apenas alguém que gosta de passar seu tempo no Netflix, Fullmetal Alchemist pode ser uma boa aposta nessa semana. Vem comigo e eu te digo se esse filme é pra você ou não – e sem entregar nenhum spoiler.

Enredo

O filme não segue um roteiro padrão, o que tem vantagens e desvantagens. A vantagem é que você não vai ficar entediado e nem sente que está assistindo o mesmo filme pela milésima vez, como costuma acontecer nos filmes de ação. A desvantagem é que são muitos personagens, elementos e reviravoltas, o que pode ficar mal elaborado e até excessivo.

Achei que Fullmetal Alchemist podia ter menos vilões, podia ter guardado alguns deles pra uma possível sequência em vez de jogar quase meia dúzia de antagonistas goela abaixo. Ficou legal pra homenagear o original, porém desnecessário num filme de duas horas.

Figurino e fotografia

Exceto a peruca do Inveja, não há do que reclamar do visual do live action. Tanto em questão de fidelidade ao original quanto em esmero criativo, Fullmetal Alchemist realmente cria um país fantástico cheio de pessoas, cores e detalhes. Desde as casas de tijolos, até os brasões dos alquimistas, ou os uniformes dos federais e tudo, o filme é um espetáculo pros olhos.

É tão bom que a peruca do Inveja chega a ser um detalhe esquecível. Podiam ter só escalado um japonês de cabelo comprido, que teria ficado melhor do que aquele cabelo artificial. Ainda assim é só um detalhe num único personagem, o visual foi realmente o ponto forte do filme.

Efeitos especiais

E quando digo que o visual foi o ponto forte, me refiro aos efeitos digitais também. Se você está acostumado com os efeitos realistas do cinema americano, talvez estranhe a identidade visual mais cartunesca do cinema japonês, mas isso é questão de gosto. Alphonse é uma armadura viva, por exemplo, e eu acho que ele ficaria melhor com efeitos práticos, mesmo assim, isso não diminui a qualidade do personagem em 3D na tela. As cenas de ação também ficaram muito bem-feitas, desde as muralhas de pedra surgindo no chão, até as explosões de fogo.

O que pode causar estranhamento são os personagens. Quimeras e marionetes, principalmente, parecem desenhos animados interagindo com atores. Não me incomodou, particularmente, mas, como disse, se você é apegado ao estilo ocidental, pode estranhar.

Atuação

Acho a atuação dos japoneses ruim, aviso logo. Não sei se é porque eles tentam emular uns trejeitos de animes ou se eles são só ruins mesmo, mas algumas cenas são muito artificiais. Um personagem grita, enquanto outro olha pra um ponto fixo no horizonte sem esboçar reação. Ou então uma menina ri à toa o tempo todo. O tempo todo. O. Tempo. Todo.

Por mais que alguns atores sejam mais esforçados do que os outros, no geral a atuação é bem fraca. Não convence, parece adultos brincando de faz de conta e não personagens passando por situações críticas. Até nas cenas de morte, alguns atores parecem estar mais entediados do que chocados.

Adaptação

O filme do Fullmetal Alchemist é fiel às duas séries de anime na medida do possível. O live action resume uns três ou quatro arcos em duas horas. Se você gosta de histórias mais sucintas, isso é ótimo – particularmente, preferi a adaptação em dois filmes japoneses de Death Note do que o anime inteiro. Se você quer que cada personagem tenha a atenção que mereça, óbvio que um filme fica corrido.

Em questão de enredo, visual, ambientação e personagens, o Netflix não decepcionou. Inclusive, Fullmetal Alchemist tem muitos elementos a serem introduzidos: alquimia, automail, armadura viva, quimeras, homúnculos, todo o país de Amestris e seu histórico de guerras etc. E todos eles tiveram atenção, nada fica confuso ou insosso. Rolam aquelas mudanças básicas que são até necessárias, nada que descaracterize qualquer elemento do original. A não ser que você seja um fã fanático, pode assistir sem medo.

Veredicto

Fullmetal Alchemist do Netflix é bom pro público geral, maravilhoso pros otakus e meio fraco pra quem quer uma atuação digna de Globo de Ouro. Realmente achei que o único ponto fraco foi a atuação, os outros tópicos foram bons ou ótimos.

Bom, assistir a uma adaptação de um shonen esperando uma atuação digna de Globo de Ouro é como assistir a um filme da Marvel, dos Transformers ou do Velozes & Furiosos esperando um enredo original. Como qualquer filme de ação, a graça são as cenas de luta e explosões, como alguma história ali no meio pra dar algum contexto. Dito isto tudo, clique no Netflix por sua conta e risco.

E você, tem alguma opinião sobre o Fullmetal Alchemist do Netflix? Solta o verbo nos comentários!

Author: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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