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Espada de vidro: por um fio

Por: Natascha Oliveira

22 de setembro de 2018

Para quem gosta de narrativas mais densas e cheias de suspense, Espada de Vidro é possui a dose certa desses ingredientes. Victoria Aveyard surpreendeu com a evolução dos personagens e as reviravoltas neste volume marcado por muitas descobertas, novos obstáculos e  uma infinidade de poderes (Alô X-men!). Vamos conferir?

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Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Gênero: Literatura Estrangeira, Fantasia
Páginas: 494
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐

Após serem enganados e usados por Maven, Mare e Cal tornam-se procurados pela coroa prateada de Norta e não encontram outra alternativa a não ser fugir com a Guarda Escarlate para um abrigo seguro. Ambos são procurados por assassinato e traição, o que gera uma comoção no reino para encontrá-los, porém Mare sabe que o interesse de Maven em sua captura vai muito além de sua simples prisão. Ela é uma ameaça para o reinado de Maven, por não precisar mais fingir que é uma prateada. Mare é um símbolo. É uma vermelha com poderes, uma arma perigosa que a Guarda Escarlate tem ao seu favor.

Com a descoberta de que não é a única anomalia sanguínea em Norta, Mare decide dedicar seus dias esquadrinhar o Reino a fim de encontrar os sanguenovos identificados na lista de seu tutor, Julian Jacos.  A garota elétrica se compromete a libertá-los da opressão prateada, treiná-los para o combate e protegê-los de Maven, que os está caçando a fim de matá-los. Mare deseja montar um exército imbatível, mas para isso precisa ser ágil e encontrar seus alvos antes de Maven.

“Se sou uma espada, sou uma espada de vidro, e já me sinto prestes a estilhaçar.”

Sem esperança

A continuação da história, ao contrário do primeiros livro, é mais tensa e muito mais sombria do que se poderia imaginar. Enquanto no primeiro livro havia uma fresta de esperança, neste volume a esperança é praticamente inexistente. Mare se vê forçada a se transformar numa mulher forte, numa líder, e vemos o peso que essa responsabilidade gera sobre ela emocional e psicologicamente. Parte desse peso é relacionado às crueldades e à pressão que Maven vem fazendo para que Mare se entregue à prisão, e a outra parte deve-se ao medo de confiar novamente, até mesmo e Cal e na Guarda Escarlate. Maré teme não só pela sua vida, mas pelas vidas dos sanguenovos que estão confiando em sua liderança e de sua família.

“Vejo Maven em cada forma retorcida, em cada contorno escuro. Ele me disse uma vez que era a sombra da chama. Agora tenho medo de que tenha virado a sombra da minha mente; pior que um caçador, pior que um fantasma.”

Evolução dos personagens

Os personagens secundários – Shade, Kilorn, Farley, Cal e até mesmo Maven -, assim como Mare, tiveram um desenvolvimento de personalidade incrível neste volume. Por estarem exilados, vivendi às sombras, não há para o grupo outra alternativa, que não enfrentar seus próprios medos e questionamentos. A visão de mundo de cada personagem avança bem ao longo da trama, o que, na minha opinião, torna a narrativa centrada em Mare uma escolha não tão sábia. Tendo em mente o desenvolvimento e o espaço que os outros personagens tiveram, teria sido maravilhoso e enriquecedor para a história uma narrativa com outros pontos de vista.

Num geral, apesar do fim ter me desagradado um pouco, a narrativa do livro fluiu muito bem e o universo construído mostra que ainda tem muito o que ser explorado, principalmente no que diz respeito à tecnologia e à geografia. Ainda sabemos muito pouco sobre outros reinos, e seria muito bom para a história ter uma visão mais ampla, além de Norta e Lakeland. Em minha opinião, os conflitos de interesse e a diversidade de posicionamentos dentro das classes foi bem executada, mostrando que há uma polarização política latente que será apresentada novamente nos próximos volumes. Alguma dúvida que A prisão do Rei será um livro sensacional?

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