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Dez anos até uma Guerra Infinita

Por: Heloisa Castro

3 de Maio de 2018

A Marvel fez de novo! Guerra Infinita consegue superar as expectativas até mesmo dos fãs mais entusiasmados, sendo um belíssimo desfecho para parte do Universo Cinematográfico que o estúdio começou a construir em 2008.

Guerra Infinita partiu corações, chocou, empolgou e causou muitas outras sensações durante cerca de duas horas e meia de filme. Mas este texto não é para falar apenas sobre Guerra Infinita. Até porque, o filme recém-lançado pela Marvel é apenas o encerramento de uma história amplamente construída durante 10 anos.

ATENÇÃO! Este post contém spoilers de Guerra Infinita e de outros filmes do Universo Cinematográfico da Marvel.

Vingadores - Guerra Infinita é o mais novo filme da Marvel

Foram dez anos desenvolvendo um universo inteiro, com personagens já consagrados e outros tantos até então desconhecidos pela maioria. O projeto da Marvel era audacioso e inovador. De fato, a Disney tirou o estigma ruim que os filmes de super-heróis tinham em sua maioria e transformou-os em uma máquina de produção audiovisual e lucratividade.

O Universo Marvel foi dividido em 3 fases. A primeira iniciou com Homem de Ferro, em 2008, encerrando-se com Vingadores no ano de 2012. Nela, a Terra teve sua primeira experiência real e em massa com ameaças alienígenas, mas ainda existiam muitos vilões humanos, com motivações bem locais.

A segunda fase iniciou-se com Homem de Ferro 3, em 2013, e encerrou-se com Vingadores – A Era de Ultron e Homem-Formiga em 2015, nos cinemas. A característica mais marcante e inovadora dessa fase foi a transmidialidade das produções: os filmes se relacionavam não apenas entre si, mas também com as séries produzidas para a TV e para a Netflix. Neste contexto, a Fase 2 tem início em setembro de 2013 com a primeira temporada de Agents Of SHIELD e se encerra com a primeira temporada de Jessica Jones, em maio de 2015. É na segunda fase do Universo Cinematográfico Marvel que começamos a entender as reais causas do ataque a Nova York e as consequências dele sobre os heróis e a população mundial. Ao mesmo tempo, somos apresentados ao universo alienígena, que dará início à Fase 3. A Fase 2 é muito marcada pelo desenvolvimento e uso da tecnologia que, ao final, mostra-se insuficiente para combater todos os perigos existentes no universo.

Atualmente estamos na Fase 3, que teve início no cinema com Capitão América – Guerra Civil, em 2016. Porém Guerra Infinita marca o fechamento de um ciclo de 10 anos e de muitos personagens que fizeram parte do universo Marvel durante todo esse tempo. Por isso o filme era tão esperado e precisava ser emblemático.

Thanos é um vilão tão excelente que pode ser considerado o novo Darth Vader

A primeira coisa que precisa ser dita sobre Guerra Infinita é que o filme é excelente. Thanos é o vilão pelo qual a cultura pop ansiava desde Darth Vader. Ele não quer conquistar o mundo, mas sim ajudá-lo. O problema é que a forma que encontrou para resolver os problemas do universo foi aniquilando metade dele. Mas suas ações têm um custo muito alto, que é sentido profundamente pelo vilão. No final das contas, fica muito claro que Thanos não é um ser sem coração. É um personagem complexo, interessante, intenso e, principalmente, com a grandiosidade necessária para ser o centro de Guerra Infinita.

Muitas pessoas ficaram chocadas e estarrecidas com o final do filme. Não é um desfecho feliz. Muita gente importante morre – inclusive durante o filme, sem necessariamente ter que esperar o momento de virar pó. Contudo, pensemos um instante: faria sentido uma guerra daquela dimensão não custar vidas importantes? Como seria o desenvolvimento do universo se todos ficassem vivos e bem? As mortes dos personagens eram necessárias para que esse ciclo fosse encerrado. É preciso que alguns deixem de existir para que outros possam surgir. Do contrário, sempre ficaria aquela ponta solta correspondente à pergunta “onde está fulano que não apareceu para ajudar nesta batalha?”. Seria sempre necessário explicar, o que complicaria a boa evolução, tanto da história principal, quanto das histórias secundárias.

As Jóias do Infinito foram o fio condutor de todas as fases da Marvel nos cinemas. Elas foram introduzidas no primeiro do Capitão América, através do Tesseract, mas sem que o público soubesse exatamente do que se tratavam. O fato de tudo fazer sentido em Guerra Infinita prova que a construção iniciada em 2008 foi muito bem-feita. Os personagens principais passaram por diversas transformações pessoais complexas. Foi possível se aprofundar em suas histórias individuais – salvo algumas exceções como a Viúva Negra, por exemplo – que enriqueceram a trama principal, encontrando o perfeito equilíbrio entre a irrelevância e o excesso de protagonismo.

Guerra Infinita também representa o ápice da evolução tecnológica na produção de filmes no Universo Marvel. Praticamente tudo é digital, sem parecer que o é. A fotografia do filme é muito bonita e as cenas de ação são impressionantes – no nível das batalhas grandiosas de O Senhor dos Anéis. Guerra Infinita é o tipo de filme que nos faz voltar a acreditar que o cinema é mais magia do que realidade, no final das contas.

Batalha em Wakanda - Guerra Infinita

Outro grande acerto do longa é a utilização correta dos momentos de emoção, humor e ação. Muitos dos filmes da Marvel pecaram pelo excesso de humor em momentos errados, ou pela falta de alívios cômicos que cansava o expectador, ou ainda pela má utilização dos recursos. Apesar de ser um filme mais sombrio do que o primeiro Guardiões da Galáxia, por exemplo, Guerra Infinita está bem longe de ser tenso como a trilogia Cavaleiro das Trevas, da DC Comics, ou de ter quebras mal pensadas como Thor – O Mundo Sombrio.

Não dava para fugir muito do clichê da batalha homérica nesse filme. Contudo, todos os confrontos que acontecem são bem pensados, as coreografias das lutas são belíssimas e bastante coesas. Por incrível que pareça, a maioria das lutas ocorrem em ambientes controlados em relação à população da Terra – evitando a quantidade catastrófica de estragos causados, que foram a motivação da revolta da população e do racha entre os Vingadores em Guerra Civil.

Para mim, não resta dúvida de que Guerra Infinita é um filme para entrar para a história do cinema. Não apenas por todos os recordes que provavelmente baterá, mas também por tudo o que significa nesse arco de 10 anos no cinema.

Que venham os próximos! Sim, próximos! Ou você achou mesmo que está tudo acabado depois de Guerra Infinita? Escrevi um post aqui sobre o significado do final do filme e teorias possíveis de desdobramentos até Vingadores 4. Vem comigo! 

Author: Heloisa Castro

Também conhecida como Diana Organa Granger. Concebida para ser a nerd da família, louca por livros, que se infiltra em salas de cinema e viaja entre mundos. Amante da culinária por necessidade e incapaz de escolher apenas um universo fantástico para amar. Conta uns causos da vida aqui: https://goo.gl/UjVcMf

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