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Como Jogos Digitais ajudam na Criação de Narrativas?

Por: Bernardo Stamato

10 de Maio de 2018

Às vezes você tem uma boa ideia pra um personagem, mas não sabe ao certo em que história colocá-lo.

Às vezes, você tem uma boa ideia pra uma história, mas sofre pra construir um personagem.

Às vezes você quer compartilhar essa ideia com o mundo e contar a história do seu personagem, mas não tem a menor ideia de como começar. Na verdade, isso provavelmente acontece na maior parte do tempo.

Quando estou diante de uma situação como essas, coloco meu personagem em algo como um teste de estresse. Isso quer dizer que vou colocar o personagem através de vários cenários incomuns para ver como ele age. Em outras palavras, eu o interpreto.

Uma forma simples e dinâmica pra fazer essa experiência é imaginar esse personagem e criá-lo dentro de um jogo digital. A quantidade de escolhas oferecidas aos jogadores nos RPGs modernos é cada vez maior, principalmente porque o objetivo de jogá-los é a capacidade de, você sabe, interpretar um personagem como num RPG de mesa. Historicamente, os RPGs de videogames consideraram o “role playing” como basicamente entrar no papel de um personagem pré-fabricado e jogar sua história. E suas opções de construção de histórias são simples: ganhar ou perder.

Hoje há mais opções. RPGs agora permitem que os jogadores personalizem a aparência do personagem, tomem decisões sobre o que fazer ao longo da história e interajam com outros personagens, incluindo desde os diálogos até opções pra romance e sexualidade.

Ao longo desses jogos, você toma decisões de forma constante sobre o tipo de personagem que está construindo. O jogo mudará pra se adequar às suas escolhas, seja por meio de eventos baseados em enredos, mudanças na aparência ou nos tipos de interações vivenciadas com personagens no jogo.

Isso cria uma experiência divertida e imersiva quando você está simplesmente querendo jogar um jogo.

Mas você cria um personagem ou se projeta no jogo? Por vezes, a diferença é tão sutil que você provavelmente criou uma persona e já toma decisões espontâneas. E, no processo, tem que tomar decisões sobre coisas que você nunca teria pensado antes através do personagem que você criou.

Quais habilidades seu personagem tem? Como seu personagem reagiria tendo uma escolha de vida ou morte? Como seu personagem interage com outras pessoas? Como elas reagem ao seu personagem?

Se você não tem certeza de como os outros reagirão ao que você faz no jogo, tudo bem. Muitas vezes o jogo está mais do que disposto a lhe contar.

A situação em que você joga o seu personagem pode não ser o que você quer que ele passe, mas colocá-lo através dos tipos de experiência que você encontra nesses jogos pode ajudá-lo a aprender quem realmente é seu personagem.

Um contraponto razoável pra isso é que, quando você está escrevendo um personagem, às vezes, a maneira como você quer que ele reaja a uma situação não é refletida com precisão nas opções limitadas de diálogo oferecidas pelo jogo. Mas no final das contas, isso é uma coisa boa! Se você tiver ideias, anote tudo! Isso significa que você entendendo seu personagem.

Em última análise, esse tipo de situação não vai escrever sua história pra você, e quando terminar o jogo, certamente não vai estar pronto pra escrever um livro. Mas se você quiser ter uma ideia melhor de quem é seu personagem, projete-o em uma narrativa já existente pra testar como ele reage pra aprender e descobrir detalhes novos sobre suas próprias criações.

Author: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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