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Chronos: Viajantes no tempo

Por: Natascha Oliveira

12 de outubro de 2018

Quem gosta de viagem no tempo, levanta a mão! Chronos foi, sem dúvidas, o melhor livro que li esse ano. Eu estava numa ressaca literária até tê-lo nas mãos, mas quando comecei a ler não consegui mais parar. E sabe o que é melhor? Esse é só o primeiro livro.

Ficou curioso?

Vem conhecer um pouco mais dessa trilogia.

Autora: Rysa Walker
Editora: Darkside
Edição: 2017
Páginas: 320
Avaliação: ✩ ✩ ✩ ✩ ✩

Legado e Família

Chronos conta a história de Prudence Katherine Pierce, uma jovem filha de pais divorciados que mora com a mãe e anda tendo umas crises de ansiedade que a deixam muito assustada. O livro começa quando Kate e sua mãe vão encontrar sua avó, Katherine, que está se mudando para a cidade por estar doente. Ketherine e a mãe de Kate não se dão muito bem, mas chegam ao consenso de que seria bom para a jovem passar algum tempo com a avó a fim de conhecê-la melhor antes que algo pior aconteça.

Nesta conversa, Kate fica encantada com o medalhão que a avó possui. A menina afirma ver nele um brilho azul intenso e por causa disso, Katherine resolve revelar à neta algo surpreendente: Seu medalhão é, na realidade, uma Chave Chronos, uma herança de sua família que vem de uma linhagem de Viajantes do tempo. Apenas aqueles com o dom conseguem ver a luz do medalhão e realizar saltos temporais.

O livro alterando entre o presente e o passado, e um dos ponto mais interessante sé a história de Katherine. A avó é uma historiadora do futuro nascida no ano de 2282, que ficou presa no passado, em 1970, em uma de suas viagens. Em outras palavras, Kate só nasceu no tempo em que nasceu porque sua avó deu início a uma outra linha temporal quando não conseguir retornar para o futuro.

O dom que ela escolhera para mim significava que eu iria ver épocas e lugares diferentes…

(Créditos: Memoralices)

Descobertas

A menina descobre também que as crises de pânico e ansiedade que sofre não são problemas psicológicos, mas instabilidades temporais. Cada vez que uma mudança grande ocorre na linha do tempo, enquanto outras pessoas apenas vêm os reflexos e têm a memória subscrita, Kate sente de maneira física e consegue ter lembranças conflitantes das duas linhas temporais. Isso significa que significa que a história como ela conhece está prestes a deixar de existir porque alguém a está alterando de maneira irresponsável e para benefício próprio. E por conseguir ver o medalhão, Kate é a única que pode mudar essa situação.

Ter sua existência completamente apagada se qualifica com certeza como um acontecimento digno de mudar a vida, na definição de qualquer pessoa.

Após aprender a viajar no tempo e estudar os diários de sua avó, Kate presume que a pessoa que vem causando toda essa bagunça na linha temporal estava em um ponto específico da história. Mais precisamente em 1893 na Exposição Universal de Chicago, e é para lá que ela precisa viajar. Mas além de combatê-lo, Kate precisa ter cuidado para não alterar completamente o curso da história, além de fugir do Serial Killer H. H. Holmes. É aqui que os fatos reais encontram a ficção. Kate fica hospedada no hotel de horrores de Holmes, construído especialmente para encurralar suas vítimas – em sua maioria, mulheres –  que visitavam a Feira de Chicago e se hospedavam em seu hotel.

Deixe apenas suas pegadas, carregue apenas suas lembranças.

(Créditos: Memoralices)

Opinião pessoal

Chronos mistura fatos reais, ficção científica, aventuras, viagens temporais, conflitos sociais e religiosos, relacionamentos abusivos além de uma pitada de romance. Não nego que o instalove presente na história me decepcionou um pouco, mas toda a trama construída para além disso tornou esse fato irrelevante. À princípio pensei que seria um pouco confuso ler uma história com tantos fragmentos e saltos temporais, mas Rysa Walker foi incrível ao construir a estrutura e a ordem com que os fatos são apresentados. A descrição das cenas, das roupas, dos lugares é sensacional, o que torna a leitura fluida, leve e deliciosa. Rysa conseguiu construir um universo atrativo e bem estruturado que te segura a cada fim de capítulo e te deixa ansioso até a última página, o que é incrível!

É notória a evolução de Rysa como escritora ao longo da história, e junto com ela, as personalidades dos personagens vão ganhando forma ao longo do livro. Apesar de ser um livro juvenil, a autora conseguiu adicionar muitas camadas aos personagens e ao universo como um todo. Um dos plots mais interessantes e que ainda tem muito o que ser explorado nos próximos volumes é a religião. A autora deu a entender que falará mais sobre o assunto e sua relação com as viagens temporais do vilão, Cyrus, nos próximos livros. Mal posso esperar para completar essa coleção, que aliás, está lindíssima. Parabéns e obrigada, Darkside!

 

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