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Castlevania: Netflix vai salvar as adaptações de games?

Por: Bernardo Stamato

29 de outubro de 2018

Se você é gamer, já se frustrou com adaptações algumas vezes, seja no cinema ou nos seriados. Pra cada Mortal Kombat e Street Fighter Victory, temos Hitman, Resident Evil e tudo o que o Uwe Boll já botou a mão. Ano passado, a Netflix dividiu opiniões ao liberar uma temporada de 4 episódios do anime de Castlevania, criando expectativas pra segunda. Então chegou a hora de descobrir se a espera valeu a pena.

Drácula é muito mais do que um monstro no Castlevania da Netflix

Enquanto a primeira temporada apresentou o vilão Drácula e os heróis Trevor, Sypha e Alucard, a segunda expande e aprofunda o elenco e dá início à guerra de vampiros contra a humanidade. Drácula convocou os vampiros mais poderosos pro seu castelo e prometeu exterminar os humanos, o que dividiu a opinião – afinal, sem eles, do que os vampiros vão se alimentar? Enquanto isso, o trio de heróis precisa redescobrir as fraquezas de Drácula e seu castelo revisitando os tesouros perdidos da família Belmont, sem deixar que suas diferenças arruínem seu objetivo em comum.

Durante a narrativa, cada personagem é desenvolvido com maestria, tanto os antigos quanto os novos. Através da discórdia entre o elenco, conhecemos melhor a amargura de Drácula, as virtudes de Trevor, a esperança de Syphe e a melancolia de Alucard, tanto quanto as ambições de Carmilla, o ímpeto de Godbrand, a devoção de Isaac e a inocência de Hector. Alguns deles deixam bem claro de que lado lutam, outros oscilam sua lealdade e seus objetivos, fazendo com que a gente queira conhecê-los cada vez mais – uma pena que a temporada só teve 8 episódios, eu teria assistido a 20 ou mais.

Permita-me dar uma atenção especial pros personagens que roubaram a cena. Carmilla com certeza é a vampira mais inteligente na corte do Drácula. Nem um pouco inclinada a seguir irracionalmente os desígnios do tirano, ela tem seu próprio exército, seus próprios métodos de persuasão e seus próprios planos. Se algum vampiro pode disputar o trono de Drácula, é ela. E eu ainda quero ver sua máscara e sua caveira, tão icônicas nos jogos.

A corte do Drácula do Castlevania da Netflix

Hector e Isaac, por sua vez, são os únicos humanos a serviço do Drácula. Ambos são pessoas que nunca tiveram espaço entre os vivos e encontraram propósito em seu lorde e oportunidade de retribuir ao mundo tudo o que lhes foi oferecido. Mesmo com tanto em comum, os dois fazem um contraste excelente, pois Hector é ingênuo, enquanto Isaac é obstinado. O que está em jogo não é a lealdade ou a ambição deles, e sim a posição que cada um ocupa no tabuleiro e o que eles vão fazer quando forem testados ao extremo.

O mundo da série é apresentado num equilíbrio ímpar pra que o espectador leigo entenda seus habitantes e suas regras e pra que o fã dos jogos reconheça vários artefatos e monstros pelo caminho. Cada cena apresentou um pouco mais do mundo de forma sutil, cada cenário trouxe elementos consagrados dos jogos e cada cena de batalha apresentou um monstro clássico.

Diga-se de passagem, a ação é um espetáculo à parte. Trevor Belmont explora seu icônico chicote de forma impecável, Sypha conjura diversos feitiços e Alucard inspira terror sempre que desembainha sua espada, sem falar no clímax contra Drácula, que também manifesta alguns poderes que farão as memórias dos fãs ferverem. Tanto os gamers quanto os amantes de shounen vão se sentir honrados pelas batalhas – e pela quantidade visceral de sangue jorrado – desse anime.

Monstros clássicos do Castlevania na Netflix

Em matéria de adaptação, acho que já deixei claro que a série prestigia o anime com louvor. Em um primeiro momento, eu pensei que escolheram adaptar Castlevania III: Dracula’s Curse apenas pra apresentar um elenco mais amplo de heróis, mas ao longo dos episódios me dei conta de que vai além disso. Dentre todos os jogos clássicos, o terceiro foi aquele que marcou o início da narrativa, ao mesmo tempo que sua cronologia foi expandida posteriormente – especificamente nos jogos Curse of Darkness e Lament of Innocence. Sendo assim, Dracula’s Curse foi a escolha ideal pra apresentar cada elemento do jogo, pra reunir o melhor elenco possível – afinal, temos três protagonistas distintos nessa temporada – e pra narrar uma história de Castlevania que pudesse agradar tanto fãs quanto leigos.

Eu só não gostei de um detalhe específico, mas não vou dar spoiler aqui. Limito-me a dizer que esperava que cada herói tivesse a devida atenção nessa temporada, sem um foco desproporcional num único personagem.

Alucard em todo seu charme no Castlevania da Netflix

Ao fim da segunda temporada, temos a conclusão de uma narrativa épica e as peças posicionadas pra mais tramas. Novamente sem spoiler, limito-me a dizer que cada adversário e cada servo de Drácula que sobreviveu está no lugar certo e com as ferramentas certas tanto pra proteger nosso mundo, quanto pra aterrorizá-lo. A Netflix obviamente planeja mais temporadas, então nos resta aguardar o anúncio de mais episódios.

Sem falar que ainda existem vários personagens pra aparecer. Eu já mencionei aqui todos os personagens relevantes dessa temporada, você já deve ter visto o pôster, não é spoiler dizer quem ficou de fora, né? Se não quiser saber, pula esse parágrafo. Enfim, Grant Danast, Súcubo e Morte são alguns dos personagens importantes demais pra ficarem de fora. Diria até que são obrigatórios nas próximas temporadas. Posso ser tendencioso aqui e dizer que também senti falta da Criatura de Frankenstein e Igor, talvez porque eu nunca tenha derrotado eles no primeiro jogo, talvez por ser personagens famosos da literatura gótica. Enfim, acho que eles enriqueceriam a terceira temporada.

Eu já disse que Castlevania foi meu jogo favorito de Nintendinho, então posso dizer que estou bem satisfeito com o trabalho da Netflix tanto quanto estou ansioso por mais. Castlevania é uma franquia cheia de potencial e até agora a Netflix soube aproveitar seu mundo e seus personagens. Espero que continuem o bom trabalho nos próximos anos.

Pôster épico do Castlevania da Netflix

Author: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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