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Black Mirror vai bagunçar a sua cabeça – e eu digo por que você vai gostar!

Por: Heloisa Castro

4 de Janeiro de 2018

Alto risco de explosão de miolos assistindo à quarta temporada de Black Mirror

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Uma das produções originais da Netflix mais queridinhas pelo público, Black Mirror teve sua quarta temporada lançada no dia 29 de dezembro, para a alegria dos fãs. A série de ficção científica foi lançada em 2011 com uma proposta diferente: episódios sem ligação entre si, consequentemente sem personagens e elenco fixos, sempre com duração maior do que 40 minutos e abordando a temática do conflito entre tecnologia de ponta e natureza humana.

A quarta temporada tem 6 episódios, sendo um deles completamente em preto e branco e outro que faz conexão com os anteriores – novidade que já havia sido anunciada pela Netflix. A temática geral da temporada é a relação entre tecnologia e cérebro humano, brincando com o conflito entre gerações e deixando entrelinhas a célebre frase “no meu tempo não era assim”. Outro ponto que merece ser ressaltado é o destaque dado a personagens femininas em todos os episódios: quando elas não são o centro da narrativa, são parte vital dela, tanto como vítimas quanto como vilãs.

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Trazendo um número ainda maior de problematizações, críticas e situações que podem estar a um passo de se tornarem reais com a evolução da tecnologia, Black Mirror se sustenta em sua autenticidade e originalidade e continua fazendo nossas cabeças explodirem, fundirem, indignarem-se e tremerem sob as consequências do uso naturalizado e/ou irresponsável da tecnologia.


Episódios:

S4Ep1: USS Callister

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Sinopse: Um nerd programador, sócio de sua própria empresa de videogames e que tem problemas de socialização, usa de maneira peculiar uma versão exclusiva do jogo de realidade virtual que ele mesmo desenvolveu.

Review: Com claras referências a séries nerds clássicas como Star Trek e fazendo um contraponto com jogos de RV nos quais o usuário literalmente imerge na história, o episódio traz reviravoltas bem interessantes. Há uma crítica à objetificação de personagens femininas na cultura pop, além de um exemplo prático de boy lixo. O ponto alto é a caracterização e o uso dinâmico de diferentes películas. O final talvez seja um pouco previsível para algumas pessoas, mas isso não compromete a experiência geral.

S4Ep2: Arkangel

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Sinopse: Uma mãe superprotetora aceita ser cobaia de um experimento de controle parental, no qual pode monitorar os passos de sua filha única.

Review: Um dos melhores da temporada. O episódio aborda questões sobre privacidade, segurança, limites éticos da tecnologia, educação infantil e mais uma série de temas ligados ao desenvolvimento físico, mental e social de um ser humano. A reviravolta parte das ações aparentemente justificáveis de uma mãe traumatizada até o desfecho inevitavelmente trash, daqueles que surpreende, mesmo sabendo desde o início que não teria como a história acabar bem (aliás, nunca termina bem, isso é Black Mirror). Dica: assista com seu pai, mãe ou pessoa que te criou do lado e preste atenção nas reações deles ao desenrolar dos acontecimentos.

S4Ep3: Crocodilo

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Sinopse: Uma arquiteta de sucesso tem um segredo que precisa manter pelo bem de sua família e de sua carreira a qualquer custo.

Review: O episódio é tenso do início ao fim. Em alguns momentos é necessário ter estômago forte para absorver o que acontece. Assim como nos dois episódios anteriores, a tecnologia é diretamente aplicada ao cérebro humano, porém desta vez, com o objetivo de acessar memórias para investigar desde simples acidentes, até crimes aterrorizantes. Além de uma fotografia ímpar, este episódio se destaca por indignar o espectador pela abordagem visceral e implacável do quão longe um ser humano pode ir pelo o que ama.

S4Ep4: Hang The DJ

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Sinopse: Um aplicativo promete encontrar seu par perfeito para uma união eterna, baseado na análise de outros relacionamentos, traçando perfis complexos, mas que não levam em consideração os sentimentos dos usuários.

Review: Se você usa o Tinder, é melhor assistir esse episódio primeiro. A “Conselheira”, como é chamada a voz do sistema que gerencia a busca do seu par perfeito, talvez seja uma neta do famoso aplicativo de encontros. Apesar de não mostrar a tecnologia em forma de implantes como nos outros três episódios, Hang The DJ aborda a relação entre usuários e sistemas. Não há liberdade de escolha para os personagens, pois tudo é controlado pelo ambiente, o que também ocasiona a alienação da maior parte dos usuários. O final surpreende ao oferecer inúmeras possibilidades de desfecho e trazer a mais inacreditável de todas. Envolvente do início ao fim.

S4Ep5: Metalhead

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Sinopse: Em um mundo pós-apocalíptico, um grupo de pessoas é perseguido por máquinas que têm como único objetivo aniquilar formas de vida.

Review: Metalhead destoa completamente dos demais episódios por ser preto e branco do início ao fim e por fugir da temática de tecnologia e mente – além de ser totalmente sem pé nem cabeça. Já estamos acostumados a não sermos contextualizados acerca da realidade ao redor de cada episódio, mas Metalhead não nos dá pista alguma do que está acontecendo. Não sabemos o que aconteceu com os humanos, ou o que os personagens tanto querem, ou porquê as máquinas destruíram tudo, nem como aquele grupo conseguiu sobreviver. Além de desconexo – tanto dentro da temporada quanto dentro de si mesmo –, é arrastado. Não conseguimos entender a motivação e nem a necessidade da urgência. Se não estivesse na temporada, não faria a menor falta. Pelo menos ele é o menor de todos, apenas 41 minutos.

S4Ep6: Black Museum

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Sinopse: Em uma estrada deserta, uma viajante encontra um museu de relíquias ligadas a casos criminais de revirar o estômago. Mas a atração principal é a coisa mais sinistra que você já viu.

Review: Na humilde opinião desta que vos escreve, este é o melhor episódio de todas as temporadas de Black Mirror. A surpresa, dessa vez, é a estrutura narrativa: não há um problema inicial, mas sim um passeio aparentemente descompromissado que resulta numa fusão de miolos a nível nuclear. É também esteticamente excelente e, ainda por cima, se relaciona com outros episódios da temporada. Mistura perfeita que conta também com uma personagem negra dando um tapa na cara da sociedade e um combo de histórias “muito Black Mirror” dentro do enredo principal. Intenso, intrigante e digno de ser assistido mais de uma vez. Mas atenção: assista por último, pois é literalmente o season finale. Quando acabou, cheguei a bater palmas.

Ranking da Temporada 04:

1º – Black Museum

2º – Arkangel

3º – Hang the DJ / Crocodilo – sim, empatados.

5º – USS Callister

6º – Metalhead

Autor: Heloisa Castro

Também conhecida como Diana Organa Granger. Concebida para ser a nerd da família, louca por livros, que se infiltra em salas de cinema e viaja entre mundos. Amante da culinária por necessidade e incapaz de escolher apenas um universo fantástico para amar.

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