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A saga dos garotos corvos: Livro I

Por: Natascha Oliveira

23 de novembro de 2018

Pela primeira vez em muito tempo, paguei para ser surpreendida.  Não costumo comprar livros cuja sinopse não me atrai, o que foi o caso de Os Garotos Corvos. Mas deixei a implicância de lado após a insistência quase infernal de uma amiga (aliás, obrigada, Gabs!). Se você gosta de uma leitura cheia de mistérios e reviravoltas sombrias, seja bem vindo à saga dos garotos corvos.

Autora: Maggie Stiefvater
Editora: Verus
Edição:
Páginas: 376
Avaliação:  ✩ ✩ ✩ ✩

Sobre Blue

Os garotos corvos conta a história de Blue Sargent, uma jovem comum da cidade de Henrietta, mas que vem de uma família nada comum. Blue é a única mulher em sua casa que não apresenta dons mediúnicos. Mas apesar de a clarividência não correr em suas veias, a moça possui a capacidade de expandir o alcance do poder dos mediuns ao seu redor, fazendo com que as respostas fiquem “mais claras”, como explica sua mãe.

Além de ser um amplificadora, Blue carrega consigo uma maldição que diz que ao beijar o seu verdadeiro amor, o rapaz irá, inevitavelmente, morrer – antes de parar por aqui e achar que o clichê adolescente está formado, dê uma segunda chance. A saga dos garotos corvos passa bem longe do romance – o que a fez permanecer longe de rapazes por toda sua vida até aquele momento.

“Ela não estava interessada em ler o futuro de outras pessoas.  Estava interessada em correr atrás do próprio futuro.”

Todos os anos na véspera do dia de São Marcos, Blue vai com sua mãe até uma igreja abandonada, sobre a linha Ley de Henrietta, a fim de ver a passagem das almas das pessoas que irão morrer em breve. Por não possuir clarividência, Blue nunca viu o sobrenatural até se deparar com o espírito de um rapaz chamado Gansey. Pelo uniforme, a jovem percebe que o garoto é estudante da escola particular Aglionby – um garoto corvo -, o que em outras palavras significa encrenca.

“— Eu só estou avisando — disse Neeve. — Cuidado com o diabo. Quando há um deus, sempre há uma legião de diabos.”

Sobre os garotos corvos

Gansey é um rapaz bonito, inteligente, rico e ambicioso. E é essa ambição que faz com que Ronan, Adam e Noah – seus leais escudeiros -, decidam embarcar com ele em uma missão em busca do corpo de Glendower; um mítico Rei Escocês que, de acordo com as lendas, possui o poder de conceder o que se deseja àquele que o encontrar. Apesar de fazerem parte do mesmo grupo, os garotos corvos possuem personalidades e motivações completamente diferentes. E os mistérios que rondam a vida de cada garoto é o que torna tudo ainda mais interessante.

“A maneira como Gansey via a questão era a seguinte: se você tinha uma habilidade especial para encontrar coisas, isso significava que você devia ao mundo procurá-las.”

À princípio a história parece meio sem pé nem cabeça, mas após as primeiras 50 páginas começamos a compreender a grandeza e a complexidade da trama a ser desenvolvida. O corpo de Glendower está, de acordo com os estudos, escondido em uma linha Ley em Henrietta. E por mais que pertençam a mundos completamente diferentes, a única pessoa capaz de ajudar os garotos corvos nessa empreitada é Blue. A garota que viu o espírito de Gansey. A única que sabe que o garoto corvo está prestes a morrer.

Opinião pessoal

Confesso que tive certo receio de iniciar esta leitura, pois após ler a sinopse, pensei que o livro se perderia no romance. Imaginem o tamanho da minha surpresa ao ver que a história passa bem longe desse fim. Não que não haja um romance, mas Maggie Stiefvater desenvolveu a trama de uma maneira que o foco foi, realmente, a missão de encontrar o Glendower. Blue, Noah, Gansey, Adam e Ronan passam por grandes aventuras entre o mundo real e o universo mágico e sombrio das linhas Ley, sendo desafiados em todos os níveis durante o trajeto, o que me encantou. A ambientação é demorada e um pouco confusa, mas após poucas páginas e familiarização com o vocabulário, eu já estava imersa nessa história junto com os garotos corvos.

Apesar de ser misterioso e tenso em diversos pontos, Maggie Stiefvater conseguiu escrever de forma leve e fluída, sem forçar um ambiente fantástico sombrio e sem tirar o peso dos perigos que cercam Henrietta. Os personagens são muito bem construídos e suas personalidades e dons particulares funcionam como uma espécie de quebra-cabeças compondo pouco a pouco o pano de fundo da trama criada pela autora. Ou seja, há ainda muito mais a ser descoberto nos próximos livros da série e eu mal posso esperar para descobrir o que vem pela frente.

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