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A Era do Abismo: Os Primeiros Passos de um Escritor

Por: Bernardo Stamato

27 de dezembro de 2018

“Se você estiver disposto a fazer algo que não funciona, você está perto de ser um artista.” – Seth Godin.

Eu desbravei uma longa jornada entre participar do concurso de contos Eu, Criatura — clique aqui para saber mais — e publicar meu primeiro livro. A verdade é que eu não queria só publicar um livro, eu queria me tornar um escritor. Publicar um livro é fácil: você escreve, paga uma editora/publicadora e pronto, mas há uma chance alta do livro não vender e você ficar frustrado. Ser um escritor é mais do que publicar um livro.

Vou contar a minha jornada e depois falar sobre a diferença entre escrever um livro e ser um escritor.

A Jornada do Escritor

Depois do concurso cultura, eu percebi que tinha vocação para narrar histórias e decidi pular de cabeça nessa carreira. Mas por onde começar? Acredito que um bom primeiro passo é olhar para os profissionais que a gente admira e ver como foi a jornada deles. Vou resumir algumas das minhas principais referências.

Eduardo Spohr ficou desempregado, escreveu um livro e teve um bom suporte do NerdCast, que promoveu e vendeu as primeiras tiragens de A Batalha do Apocalipse, gerando um público inicial e despertando o interesse da editora Verus. Affonso Solano já trabalhava na internet e já tinha seguidores quando lançou O Espadachim de Carvão, o que também garantiu público e divulgação inicial. Leonel Caldela escreveu um conto e entregou para a Trio Tormenta, mas ninguém deu muita bola. Um ano depois, um deles leu o conto por acaso, gostou e convidou o Caldela para escrever um livro, o que foi uma sorte grande demais e não dá para depender de sorte. Baseado nesses e em outros casos, decidi escrever contos e publicá-los na internet para exercitar a escrita e começar a criar um público.

Criei um blogue e fiquei divulgando meus contos pelo Twitter, Facebook e fóruns, até que fui encontrado pelo pessoal do site Filmes & Games e fui convidado para escrever críticas literárias. Falei dos livros que estavam na minha estante, o site cresceu, fizemos parceria com a Editora Record e eu até ganhei vários livros para resenhar.

O problema é que eu fui aprendendo tudo na tentativa e erro e a internet evoluiu muito de lá para cá, então muito do meu esforço contou mais como aprendizagem do que como divulgação de fato. Hoje, eu tenho um Instagram com mais de 12 mil seguidores e conheço alguns autores e influenciadores bem relevantes, mas esse é assunto para outro dia.

Eu também estudei muito nesses tempos. Fiz cursos livres de escrita e li alguns livros com dicas valiosas. Não acredito que alguém consiga escrever um bom livro sem antes ter estudado e praticado muito, seria como subir num ringue sem treinar ou tentar vestibular sem apostilas e cursinho.

Então, entre publicar meu primeiro conto e meu primeiro livro, eu escrevi muito, estudei muito e conheci o mercado editorial em que estou me metendo. Não sou uma celebridade, mas conheço pessoas relevantes e já dei alguns passos para estar ao lado delas um dia. Um dos primeiros passos é ser notado pelos escritores mais experientes, para amanhã poder participar de um evento com eles e poder ser considerado um colega de trabalho legítimo, e não um fã ou um amador.

Boa parte dos meus contos podem ser encontrados gratuitamente no Wattpad — clique aqui para ler —, eles me ajudaram a praticar e ver os comentários e as reações do público. Pessoas anônimas da internet já me elogiaram, o que é um ótimo sinal de qualidade. Já comecei a receber os primeiros comentários sobre meu livro, está sendo bem positivo e eu não teria feito um trabalho tão bom, se não tivesse estudado e praticado muito ao longo dos anos.

Se você também quer escrever, meu conselho é: 1, escreva, publique na internet, divulgue nas redes sociais e preste muita atenção no feedback; 2, conheça o mercado editorial e a história dos autores que já estão estabelecidos nele; 3, faça sua própria história, trilhe sua própria jornada, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar e autenticidade é fundamental.

Qual é a diferença entre escrever um livro e ser escritor?

Não cabe a mim cagar regra e definir quem é ou não é escritor e o que isso significa. Mas eu posso falar minhas expectativas pessoais, o que acho frustrante e o que ainda almejo.

Eu já ouvi muitas histórias de pessoas que publicaram um livro, ficaram com centenas de exemplares encalhados em casa ou que venderam em um ritmo mínimo e acabaram desistindo de escrever mais livros. Eu sempre soube que isso acontecia e nunca quis isso para mim.

Por que um livro não vende?

    • Porque ninguém sabe que ele existe.
    • Porque ele não está num marketplace conhecido, como Amazon ou Submarino.
    • Porque os leitores em potencial já têm uma longa lista de leitura e seu livro vai entrar no final da fila.

E como estou superando cada um desses obstáculos?

Atualmente, meu livro já foi exposto na internet para algumas poucas milhares de pessoas, mas só vendeu para dezenas — e eu quero vender para milhares. Como alcançarei essa meta? Estou divulgando meu livro no meu Instagram, enviei meu livro para bons influenciadores — pessoas com dezenas de milhares de seguidores, que já estão divulgando em suas redes sociais —, estou fazendo venda boca a boca e estou compartilhando com você minha história. Se você, que leu até aqui, se identificar comigo, provavelmente também iria gostar de ler meu livro. Eu já falei de outros autores e até de jogos que me influenciaram, então pode ser que a gente tenha gostos em comum também. Agora você me conhece um pouco mais — e eu gostaria de conhecer você também, me manda uma mensagem nas redes sociais ou deixa um comentário para gente trocar umas ideias, aposto que vai ser ótimo para nós dois.

Meu livro está na loja da Editora Pendragon, na Amazon, no Google Livros e em várias lojas virtuais. Por mais que eu tenha absoluta certeza de que o site da editora é 100% confiável, o comprador provavelmente prefere comprar num marketplace que já conhece e já se sente confortável. Não adiantaria publicar meu livro em uma editora que não me oferecesse o benefício de vender nas grandes redes, por isso fui muito criterioso quando escolhi a Pendragon.

E sobre minha posição na fila de leitura dos compradores, é necessário manter a “marca” viva. Sabe quando você vê um logo de um fast food ou refrigerante na rua? Você pode sentir vontade imediata de consumir aquele produto ou pode simplesmente lembrar que ele existe — de uma forma ou de outra, a marca entrou na sua cabeça. Sempre que alguém, leitor ou influenciador, fala do meu livro, eu compartilho nas minhas redes sociais, assim mais pessoas ficam sabendo que eu existo e quem já sabe, relembra. Lançar um livro é lançar um produto, uma marca, quem quer ser lido precisa compreender isso.

Para mim, ser escritor é ser lido e, para ser lido, o livro precisa chegar até o leitor. Eu não lancei um livro para cair no esquecimento depois, então eu vou continuar escrevendo, vou publicar mais livros e vou manter a minha marca viva até lá. Vai ser difícil, mas vai valer à pena.

Livro Novo

Eu ainda tenho muito para falar, mas um passo de cada vez. Se você não me segue no Instagram, clica aqui e fica ligado nas minhas enquetes e lives, porque é lá que eu abro votação e troco figurinhas com meus seguidores. Inclusive, eu decido as pautas dessa coluna que você está lendo através do Instagram, então você pode me ajudar a decidir meus próximos artigos.

Em breve, falarei como comecei a criar meu primeiro livro, mas antes abrirei votação para os leitores decidirem se falarei mais dos autores ou dos jogos que me inspiraram.

Se você quiser conhecer A Era do Abismo: O Torneio dos Campeões, meu livro de Fantasia Sombria, clique aqui.

E você, o que achou da minha jornada até aqui? Está trilhando a sua também? Solta o verbo nos comentários e bora trocar uma ideia!

E para quem leu até aqui, eis a capa finalizada do livro:

Autor: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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