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A Era do Abismo: Jogos do PlayStation que me inspiraram

Por: Bernardo Stamato

7 de janeiro de 2019

A vida é engraçada. Quando criança, eu queria um PlayStation, mas meu irmão e um amigo me convenceram a pedir um Nintendo 64 de presente e eu fui na onda deles. Alguns anos se passaram, um amigo meu ganhou um PlayStation e eu tive a certeza de que preferia o videogame da Sony. Felizmente, meu irmão pediu um PlayStation de presente e ele se tornou o meu console favorito de todos os tempos — e eu aprendi a fazer o que quero em vez de ir na onda dos outros.

Eu e meu irmão jogamos muito! Revezamos no Mega Man X4 e Dragon Valor, disputamos no Marvel VS Capcom e no Tony Hawk Pro Skater, nos borramos no Resident Evil e Parasite Eve. Até hoje conversamos e relembramos os clássicos e as pérolas perdidas que jogamos. Bons tempos quando eu, meu irmão e nossos amigos levávamos o Memory Card e o controle para a casa uns dos outros e perdíamos a hora jogando. Ainda jogamos com o pessoal hoje, mas geralmente é cada um em sua casa através do Steam, o que tira parte da magia.

Enquanto o Nintendinho foi meu primeiro videogame e o Mega Drive marcou a minha infância, o PlayStation marcou a minha vida com alguns dos melhores jogos de todos os tempos. Muitas das minhas franquias favoritas nasceram no PlayStation ou tiveram seu auge nele. Hoje vou falar alguns dos jogos que alimentaram minha criatividade e influenciaram minha escrita.

Final Fantasy


Final Fantasy é a franquia favorita da minha juventude. Apesar de eu adorar outros jogos hoje em dia — como Dragon Age —, Final Fantasy sempre vai estar no meu coração como o primeiro RPG que viciei. Meu primeiro contato foi com o FFVIII, mas joguei todos os do PS1, o Tactics, o VII, o IX e até os remakes do I, II, IV e VI.

Final Fantasy é essencialmente sobre fantasia. Seja no cyberpunk do VII, na fantasia urbana do VIII, no steampunk do IX ou nas infinitas abordagens ao longo da história da franquia, o elemento central sempre é uma aventura épica com fantasia até a raiz. Certos temas — como os cristais que sustentam a vida do mundo, criaturas poderosas que viajam entre dimensões, heróis derrotando deuses — são comuns e dialogam tanto com mitos clássicos quanto com as crises que nosso mundo real enfrenta.

Posso dizer com toda certeza que Final Fantasy é uma franquia tão fértil e tão fantástica em todos os sentidos, que é graças aos seus heróis, vilões, monstros e invocações que hoje eu consigo dar asas à minha criatividade e narrar histórias em mundos imaginários.

Silent Hill


Eu adoro terror e horror, mas não exatamente histórias de vítimas morrendo até sobrar uma ou duas. Essas histórias até são divertidas, mas eu gosto mesmo é de ver quem merece sofrer pagando por seus crimes. Nos cinemas, um bom exemplo disso é Jogos Mortais, onde cada vítima é escolhida por um bom motivo, enquanto que, nos jogos, Silent Hill é o melhor exemplo de todos.

A grande sacada de Silent Hill é que os monstros não são zumbis ou demônios, eles são manifestações dos traumas e fobias de alguém. No caso do primeiro jogo, tudo gira em torno de Alessa Gillispie, uma menina com poderes paranormais vítima de fanáticos religiosos — mas quando os fanáticos tentaram queimar a “bruxa”, ela transformou a cidade num purgatório e agora todos estão presos dentro dele.

Posso adiantar que existe um elemento no mundo do meu livro chamado Mácula, que pode manifestar os Vícios das pessoas de forma palpável e perigosa, da mesma forma que traumas e fobias ganham vida em Silent Hill. Também posso dizer que um dos capítulos do meu livro se passa em “Outeiro Silencioso”, onde uma Alessa também é acusada de bruxaria.

Legend of Mana


Legend of Mana é um daqueles jogos que parecem impossíveis de zerar de tão gigantes. Acredito que seja o melhor jogo não-linear do PlayStation, pois você pode conhecer personagens, explorar mapas e desbravar histórias como e quando quiser. Eu cheguei a vencer o chefe final, mas passei longe da sensação de completar o jogo.

Tal qual Final Fantasy, Legend of Mana é sobre o etéreo, o imaginário e sobre a fantasia em sua essência. O jogo começa com apenas duas localidades a serem exploradas e você mesmo escolhe onde encaixar as próximas localidades ao longo do jogo, criando seu próprio mapa — e você pode encontrar ou não mais peças, o que também personaliza sua experiência. Legend of Mana não permite muitas variações no enredo, mas certamente influenciou as futuras gerações ao dar tanta liberdade ao jogador sobre a exploração do mundo.

E eu também gostaria de escrever experiências não-lineares para os leitores. Por enquanto, posso dizer que estou criando várias histórias ao mesmo tempo, algo num estilo Dragon Age, Skyrim ou até Marvel, de forma que o leitor vai poder escolher a ordem das histórias que preferir ler, sem precisar ler numa ordem certa e nem ler todas as histórias.

Castlevania: Symphony of the Night


Em meio à revolução 3D nos jogos, o melhor Castlevania de todos os tempos foi 2D. E foi justamente a baixa expectativa que permitiu que Symphony of the Night fosse tão grandioso: um herói fora da família Belmot, elementos de RPG — banidos na franquia desde o fracasso de Castlevania 2 — e um mapa único e gigante em vez de fases sequenciais.

Symphony of the Night tem um elemento de Fantasia Sombria comum nos jogos de hoje, mas raro na década de 90: o protagonista também é o monstro. Em vez de um herói desafiando as trevas, você controla Alucard, o filho do próprio Drácula, meio-vampiro que se rebelou contra a tirania e o genocídio do pai. Com certeza o carisma do Alucard foi um elemento decisivo para o sucesso desse jogo.

Castlevania: Symphony of the Night inspirou vários jogos tanto na jogabilidade quanto na temática. Na jogabilidade, temos exemplos como Hollow Knight e Sundred, e na temática, temos Dark Souls, Pillars of Eternity e Dragon Age — sim, eu adoro Dragon Age, ainda falarei mais dele. Pessoalmente, posso dizer que Castlevania vai ser a inspiração de um livro que escreverei em breve e se passará inteiro dentro de um castelo.

The Legend of Dragoon


The Legend of Dragoon é um dos melhores RPGs de todos os tempos, sem exagero! A jogabilidade, os personagens, o enredo, tudo é fascinante, tão bom quanto um Final Fantasy! E, de fato, o jogo tem 4 CDs, um feito que apenas FFVIII e FFIX alcançaram na época!

Diferente dos RPGs “paradões” da época, você precisa apertar os botões no ritmo certo a cada ataque do personagem para potencializar o combo e cada um tem uma “transformação”, ganhando uma armadura com asas e poderes especiais. Apesar dos action RPGs terem dominado o gênero, aposto que esse jogo faria sucesso até nos dias de hoje.

The Legend of Dragoon influenciou a minha criatividade com um elenco distinto, um mundo singular e com um enredo cheio de reviravoltas, incluindo mortes de personagens e até segredos que mudam por completo o rumo dos heróis. Eu não faria uma história onde todos os protagonistas têm armaduras especiais, isso ficaria muito Cavaleiros do Zodíaco, mas planejo que cada um dos meus protagonistas tenha ao menos um artefato único.

Chrono Cross


Para fechar com chave de ouro, um dos melhores jogos e mais incompreendidos de todos os tempos. Quando Chrono Cross foi anunciado, muitos pensaram que não seria uma sequência legítima de Chrono Trigger, mas quem jogou mesmo teve a deliciosa surpresa de ler nomes como Lucca e até reencontrar personagens como Belthasar. Chronos Cross é divertido, poético, fantástico e genial.

Em vez de viajar no tempo como em Chrono Trigger, Chrono Cross viaja entre duas dimensões, mas com vários elementos do jogo anterior, como os reptilianos do passado e tecnologia futurista. Confesso que o jogo era complexo demais para o Bernardo adolescente compreender, mas como já joguei de novo Chrono Trigger e entendi muito melhor sua história, também retornarei a Chrono Cross e prestarei a devida atenção aos seus milhares de detalhes.

Eu ainda não escrevi algo diretamente inspirado em Chrono Cross, mas como Final Fantasy, esse jogo foi um dos melhores alimentos para a minha criatividade.

O Legado do PlayStation 1


Não posso deixar de citar os outros muitos games que joguei nesse console: Resident Evil, Vagrant Story, Digimon World, Mega Man X4, Xenogear, Street Fighter Alpha Anthology, Marvel VS Capcom, Capcom VS SNK, Dragon Ball Final Bout, MediEvil, Duke Nukem 3D, Tony Hawk Pro Skater, Monster Rancher, Jackie Chan, Harvest Moon, Metal Slug, Suikoden, Lunar, Legend of Legaia, Dragon Valor, Tales of Phantasia, Bloody Roar, Valkyrie Profile, Alundra e com certeza mais alguns que não me lembro.

PlayStation é o melhor videogame de todos os tempos e eu não compro console de outra empresa, a não ser da Sony. Em breve falarei também dos jogos de PlayStation 2 e 3, mas você pode deixar um comentário sugerindo que eu fale mais de algum jogo ou de outro videogame também.

Se quiser conferir como que tanta nerdice foi transmutada em um livro de Fantasia Sombria, conheça A Era do Abismo: O Torneio dos Campeões, clique aqui.

E você, quais jogos marcaram a sua juventude? Solta o verbo nos comentários e bora trocar uma ideia!

Autor: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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