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A Era do Abismo: Jogos de PlayStation 2 que me Inspiraram

Por: Bernardo Stamato

17 de fevereiro de 2019

Cada videogame novo que a gente joga é uma experiência única. Lembro quando jogava o Nintendinho e descobri o Mega Drive do meu tio, era mil vezes melhor. Tão melhor, que eu pensava “não dá para superar isso”. E então eu descobri o Nintendo 64 e o PlayStation 1 e fiquei de queixo caído. Você conhece essa sensação, né?

O PlayStation 2 foi revolucionário. Era basicamente o PlayStation 1, mas turbinado. Meus primeiros jogos foram Final Fantasy X e Resident Evil — Code: Veronica — esse último veio com um demo do Devil May Cry, que eu joguei mais do que o próprio Resident Evil. Eu tive plena certeza de que era impossível existir gráficos mais realistas do que naquela época — eu também pensava algo parecido do cinema enquanto assistia a Matrix e Star Wars: Episódio 1.

O PlayStation 2 me acompanhou desde o meu ensino fundamental até o final do ensino médio, então é seguro dizer que foi o videogame da minha adolescência, aquela fase em que eu alternava minha televisão entre MTV e Fox Kids. Eu e meus amigos competimos no Marvel VS Capcom 2 e Tekken 5 e nos borramos de medo juntos no Silent Hill 4 e Siren. Mas de tudo que joguei, alguns desses clássicos inspiraram algumas partidas de RPG naquela época e inspiram minha escrita hoje em dia. Vou te falar de quatro desses jogos agora.

Final Fantasy X

Eu já falei como sou fã de Final Fantasy. Joguei simplesmente tudo que foi lançado no PlayStation 1 e pedi o PlayStation 2 de presente pensando em jogar o Final Fantasy X. Hoje em dia, o FFX causa amor ou estranhamento às pessoas. Ou ele é lembrado como uma obra-prima do PS2 ou como um belo exemplo da estranheza do gênero JRPG. Como adulto, reconheço que esse jogo tem seus altos e baixos, mas seu enredo é indiscutivelmente primoroso.

Final Fantasy X manteve os elementos icônicos da franquia, como os arquétipos das classes e dos personagens e as criaturas fantásticas, mas também pensou fora da caixa ao criar um mundo tropical com inspirações africanas e americanas, apesar de ainda habitado por pessoas caucasianas típicas. Particularmente, me parece que Final Fantasy seguiu um certo padrão do I ao IX — enquanto o criador Hironobu Sakaguchi ainda participava como game designer — e que o X foi o começo de um novo ciclo — quando o criador assumiu o cargo de produtor executivo, para logo depois sair da empresa.

Eu acredito que joguei Final Fantasy X no momento certo da minha vida. O enredo do jogo lida com amadurecimento, superação e com o desafio de viver a própria história em vez de ficar apenas nas sombras de alguém, algo que eu vivi na pele durante a adolescência. A frase mais poderosa do protagonista com certeza é “Essa é minha história. Ela vai seguir o caminho que eu quero… Ou eu vou encerrá-la aqui!” Impossível um adolescente ler ou ouvir isso e não acreditar que pode conquistar o mundo.

Eu gosto de usar essa perspectiva na minha escrita. Assim como cada um de nós é o protagonista da própria história, cada um dos meus personagens também é o protagonista da própria história no fim das contas. Ninguém é um mero coadjuvante que segue e admira o líder. Todos têm seus próprios objetivos e eu garanto que cada um tem carisma o suficiente para o leitor se afeiçoar a ele ou ela e que cada um deles é o personagem favorito de ao menos um leitor.

Devil May Cry

Antes do PlayStation 2, eu lembro como o Nintendo 64 era melhor para jogos de aventura — como Mario 64 e Zelda: Ocarina of Time —, enquanto o PlayStation 1 era melhor para jogos mais táticos — como Final Fantasy e Digimon World. O PlayStation 2 oferecia o melhor dos dois mundos: podíamos ter um jogo com um mundo gigante e um enredo quilométrico — como Final Fantasy X — e um jogo de ação e adrenalina na veia — como Devil May Cry.

Enquanto Final Fantasy X exibia a potência do PlayStation 2 através de muitos personagens e cenários diversificados, Devil May Cry apresentou um anti-herói diferente do que estávamos acostumados — um meio-demônio que já começava a história com o poder de um semideus — e um cenário tão claustrofóbico quanto desafiador — um castelo repleto de corredores, salas e masmorras, tudo recheado de mortos-vivos e demônios.

Devil May Cry foi precursor de outros grandes jogos do PS2, como Castlevania: Curse of Darkness e até God of War. Praticamente todos os jogos “hack and slash” com vários combos, magias e sistema de progressão de personagem pegaram algo emprestado de Devil May Cry e Dante é um ótimo exemplo de um anti-herói de língua afiada, capaz de debochar até mesmo dos demônios mais tenebrosos — não é à toa que ele apareceu enfrentando o Deadpool na abertura do Marvel VS Capcom 3.

Devil May Cry é uma ótima inspiração para criar um cenário mal-assombrado, monstros demoníacos e vilões únicos. Não gosto tanto de protagonistas que já nascem poderosos, como o Dante, mas acho que posso me inspirar em seu sarcasmo e ousadia para um personagem de um projeto que estou escrevendo.

Kingdom Hearts

Nerds adoram “crossovers”. X-Men VS Street Fighter foi inusitado, mas não tinha como dar errado. Mario & Sonic at the Olympic Games foi o sonho de muitos fãs — ou quase o sonho, pois não é um jogo de plataforma. Kingdom Hearts, por sua vez, é surreal em todos os sentidos. Quem imaginaria misturar Final Fantasy com Disney? E, ainda mais surpreendente, não é que fez todo sentido?

Em Kingdom Hearts, controlamos Sora, um garoto que sonha em viajar o mundo e acaba viajando pelo universo para salvar os mundos da Disney ao lado do Pato Donald e do Pateta enquanto tenta reencontrar seus amigos e esbarra com alguns heróis de Final Fantasy pelo caminho.

Todo trabalho artístico ficou impecável, cada mundo da Disney foi uma mistura de nostalgia e aventura e a jogabilidade foi incrivelmente fluida, misturando “hack and slash” e com RPG na medida certa. Vencer os vilões da Disney no final de cada fase foi um deleite à parte e toda mitologia criada para a franquia mostrou como que misturar elementos inusitados pode resultar em sagas poderosas.

Enquanto Final Fantasy me mostrou que a fantasia é infinita e a Disney permeia meus sonhos de infância, Kingdom Hearts me ensinou que é possível se recriar de forma singular e destemida e que misturar elementos inusitados pode ser genial e cativante.

SoulCalibur 3

Lembro o dia em que fui jogar RPG na casa de um colega e ele estava jogando SoulCalibur 3 antes da sessão começar. Eu tinha ouvido falar dessa franquia, mas nunca tinha visto de perto. Para um fã de fantasia medieval, um jogo de luta com cavaleiros, alquimistas, monges e vários outros arquétipos é um prato cheio.

Diferente da maioria dos jogos de luta, SoulCalibur tem um enredo expansivo tanto no modo Tales of Souls — Contos das Almas, onde você enfrenta várias lutas, mas pode escolher para qual país seu personagem vai em seguida, o que torna cada experiência singular — ou no Chronicles of the Sword — Crônicas da Espada, onde você cria seu próprio personagem e joga numa campanha com uma narrativa muito mais ampla, mas que infelizmente corrompia o memory card, então eu nunca fui muito longe nesse modo.

O enredo gira em torno de duas espadas, uma sagrada — a Soul Calibur — e outra profana — a Soul Edge — e aqueles que buscam essas armas, o que inclui um cavaleiro europeu que um dia portou a Soul Edge e agora quer destruí-la, um mercenário asiático que quer provar que é o guerreiro mais forte de todos, um gigante que segue as ordens de um deus ancestral, entre vários outros, cada um com sua própria ambição e história para contar.

Da mesma forma que Street Fighter e Mortal Kombat foram os jogos de luta que me fascinaram com elencos tão férteis na infância, SoulCalibur foi o jogo de luta que me trouxe esse mesmo efeito na adolescência. Não é à toa que estou publicando uma história no Wattpad chamada A Espada do Sol.

O Legado do PlayStation 2

Lógico que não posso deixar de citar alguns dos muitos jogos de PlayStation 2 que joguei: Silent Hill 4, Siren, Black, Shadow of the Colossus, Shadow of Rome, Tekken 5, God of War, Marvel Ultimate Alliance, Mortal Kombat: Armageddon, Mortal Kombat: Shaolin Monks, Street Fighter Ex 3, Marvel VS Cacpom 2, Tony Hawk Pro Skater 3, Okami, Prince of Persia: The Sands of Time,  Guitar Hero, Castlevania: Curse of Darkness, Sonic Heroes, Spartan: Total Warrior, Valkyrie Profile 2, Bloody Roar 4, Zone of the Enders, Onimusha, Rogue Galaxy, Grandia 2, Radiata Stories, Final Fantasy X-2 e Final Fantasy XII. Quer um texto com algum desses? Deixe um comentário! 😉

O PlayStation 2 é o videogame mais vendido de todos os tempos e tem todo o mérito para tal. Ele fez tudo o que o PlayStation 1 já fazia e melhorou e ainda veio ao mundo justamente na época em que a tecnologia se tornou mais acessível para o público. Com certeza tem um dos catálogos mais diversificados de todos e estabeleceu padrões que são seguidos pela indústria até hoje.

Se quiser conferir como que tanta nerdice foi transmutada em um livro de Fantasia Sombria, conheça A Era do Abismo: O Torneio dos Campeões, clique aqui.

E você, quais jogos marcaram a sua adolescência? Solta o verbo nos comentários e bora trocar uma ideia!

Author: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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