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A Era do Abismo: Jogos de Nintendo 64 que me Inspiraram

Por: Bernardo Stamato

29 de novembro de 2018

Eu abri uma enquete no meu Instagram sobre o que eu deveria falar: jogos ou leituras. E a votação deu empate! Então estou correndo para escrever sobre os dois assuntos, primeiro dando sequência aos jogos que me inspiraram ao longo da minha vida de nerd. Já falei dos meus favoritos de Nintendinho e Mega Drive, agora chegou a vez do Nintendo 64.

Lembro de passear no shopping com meus pais e um dos meus irmãos para escolher meu presente de aniversário. Eu estava fazendo 8 ou 9 anos de idade, então você deve se lembrar da sensação mágica que é escolher seu presente de aniversário nessa época da vida.

Rodamos o shopping inteiro, vimos mil brinquedos, lanchamos e, por fim, eu tinha que escolher um presente e fiquei em dúvida entre um boneco e um cartucho de Mega Drive – Gargoyles, uma adaptação de um desenho animado. Aquela dúvida me corroeu, até que escolhi o jogo e minha mãe soltou um “não” e eu não entendi nada. Notei que ela segurava o riso, mas óbvio que eu não tinha como adivinhar o que estava se passando. Compramos o jogo, fomos para casa, joguei incessantemente por dois dias, até a festa do meu aniversário.

Eis que eu ganho um videogame novo, o Nintendo 64 e tudo fez sentido. Minha mãe sabia que eu estava prestes a ganhar um console novinho em folha, logo ia jogar muito pouco aquele jogo novo do console antigo – de fato, joguei pouco mesmo. Mas o que importa é que eu fiquei extremamente eufórico com o Nintendo 64, com os gráficos surreais, com o controle cheio de botões e com jogos em 3D! No mesmo dia ganhei o Mario Kart e obviamente esse foi o game mais jogado das semanas seguintes. Joguei muito Mario Kart e Mario 64, mas a minha grande paixão do Nintendo 64 mesmo foi…

The Legend of Zelda: Ocarina of Time

Ocarina of Time é muitas vezes chamado de o melhor jogo de todos os tempos. Não é o meu favorito, mas acho esse título justo. Enquanto algumas franquias clássicas sofreram para se adaptar às inovações do 3D, Zelda praticamente delineou as regras e estabeleceu o nível de qualidade que todos os outros jogos precisaram seguir. Jogabilidade inovadora e divertida e uma história épica, não tem como não adorar.

Adoro o Link pela história de crescimento, superação e valentia dele, mesmo sem que ele precise falar uma palavra sequer. Adoro Hyrule, um mundo com diversos povos, diversas cidades e suas masmorras, cada cenário contando mil histórias em cada detalhe. Adoro a mitologia, os monstros, a narrativa que nos leva a enfrentar o vilão. Zelda sabe usar todos os elementos da fantasia, impossível não ficar fascinado enquanto derrota cada chefe de masmorra.

Quando criei o mundo de A Era do Abismo, criei as raça e cidades de forma única, cada elemento contando várias histórias. Meu livro não chega a ter uma referência direta a Zelda, mas por acaso já escrevi duas histórias que se inspiraram, uma com uma aranha monstruosa estilo a Rainha Gohma e outra com um elfo e uma fada – mas com personalidade bem diferente do que se esperaria do Link. Devo postar uma dessas histórias no Wattpad em breve.

HeXen

Nada como virar a noite jogando com o irmão e um amigo. O Nintendo 64 foi o primeiro videogame com quatro controles, uma experiência revolucionária na época. Joguei muito Mario Kart 64 e 007 Goldeneye, mas o que realmente me encantou foi HeXen. Enquanto Mario Kart e Goldeneye tinham multiplayer competitivo, HeXen tinha uma campanha colaborativa.

Por isso adorei HeXen, um jogo de tiro em primeira pessoa onde cada jogador escolhe uma classe – guerreiro, mago ou clérigo – para explorar as masmorras e matar os monstros juntos! Isso por si só já basta para HeXen ser o meu jogo de tiro favorito de todos os tempos – não que eu tenha jogado muitos, para ser sincero -, mas o fato de ser um jogo de fantasia sombria é a cerejinha no topo do bolo.

HeXen é sequência de Heretic. No primeiro jogo, o herói derrotou um dos três Serpent Riders, e agora é a hora de ir atrás do segundo – o que me lembra um pouco Diablo e os Males Supremos, a propósito. Heróis lutando juntos em um mundo de fantasia sombria dominado por três demônios, isso é um prato cheio de inspirações para mim.

Gauntlet Legends

Falando em virar a noite com o irmão e um amigo, Gauntlet Legends foi o melhor hack’n slash dungeon crawler do Nintendo 64. O enredo é bem simples: um bruxo idiota soltou um demônio no mundo, agora quatro heróis precisam derrotar os capangas dele e abrir caminho até a batalha final. Os jogadores escolhem entre guerreiro, arqueira, mago ou valquíria e o jogo tem tantas fases, que parece que não acaba nunca.

Tanto parece, que não conseguimos zerar – e olha que tentamos! Lembro de eu, meu irmão e esse nosso amigo zerando HeXen e nem acreditar que chegamos ao final, tanto quanto falávamos “hoje a gente zera Gauntlet” e, mesmo depois de dezenas de fases, nunca chegamos ao final de fato. Falando nisso, eu tenho o Gauntlet de 2014 no Steam, preciso marcar de jogar com os amigos.

É, eu realmente adoro jogos colaborativos de fantasia.

Mace: The Dark Age

Eu adoro jogos de luta, mas esse não foi o ponto forte do Nintendo 64. Além de Mortal Kombat Trilogy e Super Smash Bros, o 64 teve poucos jogos de luta famosos. Eu cheguei a jogar alguns outros, como Flying Dragon, ClayFighter 63 ⅓ e Bio. F.R.E.A.K.S., mas meu favorito foi, sem dúvidas, Mace: The Dark Age.

Mace: The Dark Age me parece uma mistura de Soul Edge com Mortal Kombat, apresentando gráficos excelentes e jogabilidade sólida, com destaque para as várias nacionalidades entre os personagens – incluindo um viking, um samurai, uma kunoichi e assim vai. A história se passa no século XII, quando um grupo de nações chamado Covenant of Seven envia seus melhores guerreiros para matar Asmodeus, um demônio praticante das artes das trevas que empunha a “Maça de Tanis”, uma arma imbuída de energia necrótica, que oferece uma promessa tentadora de vida eterna e poder absoluto – diga-se de passagem, esse papo de Maça de Tanis me lembra a Varinha de Orcus do D&D, mas bola para frente.

Está bem nítido que eu tenho uma queda por histórias de mundos dominados pelo mal, onde geralmente a vitória não melhora em muito a situação do mundo. Inclusive, Mace: The Dark Ages não tem heróis, os melhores personagens estão em busca dos próprios interesses e os piores vão arruinar o mundo, se você zerar com eles. Acho que foi jogando esse game que me dei conta de que ótimas histórias podem ter fins trágicos.

O Legado do Nintendo 64

Como sempre, não posso deixar de citar os outros muitos games que joguei nesse console: Mischief Makers, Super Smash Bros, Turok, 007: Goldeneye, Snowboard Kids, Mortal Kombat Trilogy, Mortal Kombat 4, Starfox 64, Yoshi Island, Star Wars: Shadows of the Empire, Missão Impossível, Conker’s Bad Fur Day, Rampage 64., ClayFighter 63 ⅓, Banjo-Kazooie, Pokémon Stadium, Doom 64, Castlevania, Tetrisphere, Bio F.R.E.A.K.S, Flying Dragon e com certeza mais alguns que não me lembro.

Nintendo 64 foi um ótimo videogame, pena que tenha perdido o apoio de grandes desenvolvedoras, como Capcom e Square Enix, o que fez algumas franquias de peso ficarem de fora do console, como Street Fighter, Mega Man X e Final Fantasy. Mas tudo bem, esses jogos todos estavam no PlayStation, que é o próximo videogame que falarei aqui.

Se quiser conferir como que tanta nerdice é transmutada em um livro de Fantasia Sombria, dá uma conferida na pré-venda de A Era do Abismo com brindes exclusivos – pôster + 8 marcadores personalizados. Clique aqui.

E você, quais jogos marcaram a sua infância? Solta o verbo nos comentários e bora trocar uma ideia!

E para quem leu até aqui, eis a arte de um dos protagonistas do livro (também falarei mais deles em breve):

 

Author: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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