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A Era do Abismo: Jogos de Mega Drive que me Inspiraram

Por: Bernardo Stamato

3 de novembro de 2018

Você tem de agir. E você tem que estar disposto a fracassar… Se você tem medo de fracassar, não irá muito longe. – Steve Jobs.

Semana passada, falei das minhas origens de nerd e então abri uma votação no meu Instagram – @mochileiros_do_multiverso – para decidir sobre o que falaria hoje: mais sobre jogos que me influenciaram ou sobre como me tornei um leitor. O tema mais votado foi jogos, então vou falar do segundo console da minha infância: o Mega Drive.

Eu e meu irmão jogamos bastante o Nintendinho, mas então descobrimos que existiam outros videogames melhores, até que enchemos o saco dos nossos pais e nosso avô deu o Mega Drive para o meu irmão. Você já passou por isso, certo? Ter um videogame quando criança, achar aquilo muito mágico, então ganhar um videogame novo e descobrir todo um outro universo de jogos e gráficos melhores. É transcendental, não é? Pois foi assim que eu me senti no começo dos anos 90 com o Mega Drive.

Eu falei semana passada que Street Fighter 2 foi o fator da mudança, então é de se esperar que ele tenha sido importante para mim, né? A versão de Mega Drive tinha mais personagens e posteriormente lançaram a edição Super, totalizando 16 lutadores. Tive bonecos, álbum de figurinhas, vi os desenhos animados, comprei todos os quadrinhos lançados no Brasil, eu era simplesmente fascinado pela franquia – a propósito, a data de aniversário do Ryu é a mesma que a minha, 21 de julho.

Para ser sincero, eu não jogo bem. Joguei praticamente todos os outros jogos, o 1 no PSP, o Alpha, o 3 e o EX no PS2, o 4 no PS3, o 5 no PC e também joguei Capcom VS SNk e Marvel VS Capcom, mas não sou um bom jogador, devo confessar. Gosto dos jogos, gosto da história, me divirto apanhando no versus com os amigos e é isso. Para compensar, jogo Marvel VS Capcom bem, posso dizer que sou o melhor entre meus amigos, mas quando botam Street Fighter, é só surra.

Antes de criar os personagens do meu livro, eu estava imaginando como seria o elenco de Street Fighter num contexto de fantasia medieval. Ryu e Ken seriam gladiadores, Guile seria um paladino, Rose seria uma maga adivinha e assim vai. Quando decidi escrever um romance, percebi que já tinha um elenco quase pronto, tendo apenas que escolher quais personagens estariam no elenco principal e quais outros precisariam ser criados para complementar a equipe. Dos meus sete protagonistas, cinco foram inspirados em Street Fighter.

Mas agora, depois de adulto, eu diria que o meu jogo favorito de Mega Drive foi Golden Axe. O gênero beat ‘em up estava em alta com Final Fight e Cadillacs and Dinosaurs, então a Sega apostou em títulos próprios, como Streets of Rage – bem similar ao Final Fight – e Golden Axe – esse fim inovando com a temática de espada e feitiçaria e com monstros de montaria.

Óbvio que eu adorava os filmes do Conan do Schwarzenegger e Golden Axe foi o mais próximo que tivemos de um jogo de espada e feitiçaria nesse estilo. Como a maioria dos beat ‘em ups, tínhamos três personagens, mas em vez de ex-policiais ou lutadores, tínhamos um bárbaro, uma amazona e um anão, que enfrentavam lagartos e esqueletos e podiam montar em bestas que cospiam fogo. Não tinha como esse não ser o jogo mais divertido do Mega Drive!

Eu ainda não escrevi nada inspirado em Golden Axe, mas com certeza escreverei em breve. Uma região feudal unificada por um bruxo tirano, um artefato mágico, monstros como montaria, dá para escrever pelo menos um conto com isso. Eu só preciso encontrar um elemento diferencial para o enredo, porque um grupo de heróis enfrentando um tirano é óbvio demais. O cenário é bom, falta um diferencial para o enredo.

Tanto quanto Street Fighter foi meu jogo de luta favorito da infância, Mortal Kombat é o meu jogo de luta favorito de todos os tempos. Apesar dos pesadelos depois de ver os fatalities, eu tive todos os jogos do Mortal Kombat desde o 1 até o 4 – do Nintendo 64 – e também fiquei muito satisfeito com o reboot de 2011 e com o Mortal Kombat X.

E o diferencial do Mortal Kombat para o Street Fighter não é só a violência explícita, mas todo o enredo. Street Fighter seria uma fantasia urbana com guerreiros com poderes mágicos, enquanto Mortal Kombat está mais para uma guerra interdimensional que engloba o Reino da Terra, Outworld, Edenia e até o Inferno. Humanos, demônios, alienígenas e até deuses lutam no Mortal Kombat, cada um com sua própria motivação.

Seja você um fã da Marvel ou um rpgista hardcore que adora Planescape, a temática do Multiverso está em alta nos tempos atuais, mas Mortal Kombat foi um dos pioneiros nessa área nos videogame e ainda é o único jogo de luta com essa abordagem. Eu sei, eu sei, ninguém joga um game de luta pela história, só eu, mas experimente o modo história do MKX e preste atenção em cada um dos personagens e você vai ver como essa franquia abre infinitas possibilidades de narrativas.

Eu ainda não comecei a escrever histórias que envolvam várias dimensões, mas já rascunhei algumas ideias e Mortal Kombat com certeza me inspirou. Afinal, Outworld foi é um império interdimensional dividido e disputado desde a morte de Shao Khan, misture Planescape nesse caldeirão e imagine quantas aventuras podemos ter.

Lógico que descobri mais jogos depois de adulto, como Phantasy Star, Sword of Vermilion, Shining Force e Castlevania: Bloodlines. Os três primeiros são RPGs, gênero desafiador e “parado” demais para uma criança, mas viciante para um adolescente, e o quarto é o Castlevania, que eu simplesmente não sabia que tinha para Mega Drive, mas joguei muito em emuladores depois – comprados nas bancas de jornal em CDs com centenas de jogos.

Também joguei vários outros jogos, como Sonic, Altered Beast, Streets of Rage, Ristar, Castle of Illusion, Shinobi, ToeJam & Earl, Aladdin, Michael Jackson’s Moonwalker, Zombies ate my Neighbors, Boogeyman, Vectorman, Comic Zone, Ghouls’n Ghosts, Earthworn Jim, Alien Soldier, Ecco the Dolphin, Kid Chameleon, Strider, Gargoyles, Power Rangers e vários jogos de heróis como Homem-Aranha, X-Men e Batman. Mega Drive com certeza foi um dos melhores videogames de todos os tempos, agradeço pelas muitas horas de diversão e inspiração da minha infância.

Outros jogos – além de filmes, quadrinhos, desenhos animados etc – me inspiraram ao longo da vida, adoraria falar de cada um deles, mas acho que está na hora de falar mais de literatura. Semana que vem, falarei sobre como me tornei um leitor e depois abrirei mais uma enquete para decidir se volto a falar de videogames ou se sigo em frente falando de literatura.

Se quiser conferir como que tanta nerdice é transmutada em um livro de Fantasia Sombria, dá uma conferida na pré-venda de A Era do Abismo clicando aqui.

E você, quais jogos marcaram a sua infância? Solta o verbo nos comentários e bora trocar uma ideia!

E para quem leu até aqui, eis a arte de um dos protagonistas do livro (também falarei mais deles em breve):

Author: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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