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8 Motivos pra Assistir aos Filmes Clássicos

Por: Bernardo Stamato

14 de outubro de 2017

Eu comecei recentemente um novo projeto de reviews e decidi dar o pontapé inicial com alguns conteúdos clássicos da cultura pop, como o filme Janela Indiscreta e o jogo Space Invaders. E enquanto pesquisava o que mais eu vou criticar, entre filmes, jogos, séries, quadrinhos, animes etc, fiquei refletindo o que nos leva a ver um filme de décadas atrás, às vezes meio século ou quase um século – o clássico Metrópolis é de 1927, 90 anos atrás, e está no Netflix gringo. E como sou alguém que não se segura pra compartilhar o que pensa com o mundo, decidi explanar 8 motivos pra assistir a filmes clássicos.

A era dos remakes e reboots e adaptações e sequências etc…

Antes de mais nada, não preciso lembrar que vivemos a era dos remakes, reboots, adaptações e sequências. Sinceramente, assistir às adaptações de Ghost in the Shell e Death Note sem ter visto o original é desperdício. Posso falar o mesmo de assistir a Mad Max: Estrada da Fúria – melhor filme de 2015 – ou Blade Runner 2049 – talvez melhor filme de 2017 – sem ter visto nada dessas franquias homéricas. E dá pra citar aqui Godzilla, Star Wars, Power Rangers, Planeta dos Macacos, It, Assassinato no Expresso Oriente e lá vai água. Em todo caso, se você gostou de um filme pra valer, é importante lembrar que a experiência completa pede pelo clássico.

Roteiro e ritmo

Nosso bom e velho Luiz Lindroth do canal Dados & Contracapas disse que gosta de comparar as diferenças de roteiro e ritmo de narrativa dos filmes clássicos com os atuais. Você se lembra na época do Titanic, em que filme com mais de duas horas era muita coisa? Houveram muitas mudanças nas fórmulas de roteiro e no ritmo de narrativa nas últimas décadas, principalmente graças às novas tecnologias, graças ao advento dos videogames, smartphones e internet e também ao fato de que muitos mais países têm acesso ao cinema hoje do que antigamente, o que influencia bastante em toda construção de um filme. Ver um filme antigo não é só olhar pra sociedade de outra época, mas também pro storytelling e pro público-alvo daquele momento.

Menos recursos e mais criatividade

O Victor Azevedo do canal CDFs pensa parecido, mas de forma mais ampla. Ele me contou que gosta de assistir a filmes antigos porque eles revelam nossa forma de agir e pensar ao longo dos momentos que foram produzidos. Esses filmes construíram gerações inteiras de amantes de cinema, bem como inovaram nas técnicas de produção, filmagem e atuação. Eles eram feitos com poucos recursos e muita criatividade e até hoje influenciam o mundo cinematográfico. Filmes clássicos são parte da nossa história, são a base de tudo.

Menos recursos e mais exigências

O épico Alexandre Chaves cita que “assistir a um filme velho, ou o que chamo de “clássico”, é entender a influência, a origem de muitos dos grandes filmes atuais. São filmes feitos para outra época, com velocidade diferente. Na falta dos recursos tecnológicos de hoje, artistas e diretores tinham que ser ótimos ou o filme não funcionaria.” De fato, as exigências na época dos clássicos eram outras – e eram maiores. Não era só menos recursos, era menos filmes produzidos, menos profissionais, menos público-alvo. Hoje, o cinema pode se dar ao luxo de ter um público de nicho, antigamente, um fracasso de bilheteria facilmente levava à falência de um estúdio. Entende agora porque os diretores clássicos têm fama de serem exigentes?

Início, meio e fim de carreira

Atores e diretores são artistas e, como tais, mudam de estilo, têm altos e baixos, têm raízes, fazem apostas e arriscam. Se você gosta de um ator ou diretor em específico, vale muito a pena ver pelo menos três trabalhos dele, tanto pelo entretenimento, quanto pela comparação. Se você gosta de Kubrick, como não assistir a’O Iluminado, 2001: Uma Odisséia no Espaço e Laranja Mecânica? Se gosta do Brad Pitt, como não assistir a Tróia, Seven: Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Bastardos Inglórios? Dá pra cavar mais fundo e encontrar algumas pérolas perdidas também, como Spartacus do Kubrick e Kalifornia – Uma Viagem ao Inferno do Brad Pitt. Você pode torcer o nariz pra um filme antigo, mas não vai torcer o nariz pro seu ator ou diretor favorito nunca.

Eu entendi a referência

O David Coelho do canal Siga o Coelho, por sua vez, gosta dos clássicos como referência e repertório. Ele revelou que muitas vezes vê uma cena que remete a outro filme como homenagem ou sátira e sente que ter visto essas cenas em outros filmes torna essas homenagens mais legais. Além disso, ele também curte comparar a evolução da linguagem do cinema, como era feito no passado e como é feito hoje. Na opinião do Coelho, o conjunto dessa ópera torna os clássicos importantes pra quem gosta de cinema.

Nada se cria

Já o artista Killer Jabuti (e membro atuante do canal MGN Brasil) acredita que filmes clássicos são uma boa base pra criar algo novo, pois você pode ver aquilo que é cultuado nesses filmes e tentar subverter pra tirar novas ideias. Você já deve ter ouvido falar que nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, e é bem por aí. Você faz ideia de quantas homenagens e paródias Janela Indiscreta já teve? Até os Simpsons já homenagearam Janela indiscreta – apesar de que Simpsons já fizeram de tudo, então fica difícil. O lance é que você mesmo pode ser muito criativo usando os clássicos como inspiração.

Os clássicos não envelhecem

Mas o maior motivo pra assistir a um filme clássico é porque ele simplesmente é bom. Lembra de Guerras nas Estrelas, que depois veio a ser conhecido como Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança? Quando que esse filme vai ficar ruim? Ele é de 1977, eu não era nem nascido! Nessa mesma década foram feitos O Exorcista, Taxi Driver, Apocalypse Now, O Poderoso Chefão, Rocky: Um Lutador, Carrie, a Estranha, Último Tango em Paris, Superman: O Filme, O Massacre da Serra-Elétrica, Eraserhead, Os Embalos de Sábado à Noite e Alien, o Oitavo Passageiro! Quantas semanas levaria pra assistir a tudo isso? Dependendo do seu fôlego, um fim de semana, eu sei. Mas eu ainda preciso explicar por que filmes clássicos são simplesmente bons depois de citar tantas obras-primas só da década de 70?

Dá play!

Depois de tantos argumentos, só nos sobram duas coisas a fazer. A primeira é deixar um comentário dizendo qual é o seu filme clássico favorito e por quê. A segunda é descobrir novos filmes clássicos favoritos. Seja pra entender melhor os filmes de hoje ou só pra curtir uma velharia, o que importa é não deixar a arte morrer.

Autor: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural “Eu, Criatura” da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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