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5 Teorias dos Games CONFIRMADAS pelos Desenvolvedores

Por: Bernardo Stamato

15 de janeiro de 2018

Uma teoria dos fãs pode ser a melhor parte de um jogo. Das mais estranhas – tipo Crash Bandicoot ser primo do Sonic the Hedgehog – pras mais simplórias – Uncharted se passa num mundo que nunca teve filmes do Indiana Jones -, as teorias dos fãs podem realmente potencializar o engajamento dos jogadores. E enquanto muitas são debatidas incessantemente em páginas de fóruns sem nunca nenhuma conclusão real, algumas já foram até confirmadas pelos desenvolvedores – e aqui estão alguns dos exemplos mais memoráveis.

As origens secretas da Shinra Corporation

Final Fantasy é, basicamente, equivalente aos filmes do James Bond nos videogames: o maior referencial dentro de um gênero com uma continuidade extremamente abstrata. A franquia Final Fantasy escreveu as regras pra quase todos os elementos que você imagina quando pensa em RPG, mas mesmo se ramificando pra outras mídias, outros estilos de jogo e até outras franquias – como Kingdom Hearts -, a conexão real entre os jogos sempre foi mínima.

Os fãs teorizaram há anos que alguns dos muitos universos alternativos estão conectados através de magia ou tecnologia, mas um dos exemplos mais convincentes é Shinra, um personagem secundário no Final Fantasy X-2, que supostamente fundou a empresa Shinra, uma megacorporação que serve como a força motriz do enredo do Final Fantasy VII.

Yoshinori Kitase, o diretor de Final Fantasy VII, confirmou isso numa entrevista na Kotaku. “Não vou dizer que é exatamente o mesmo mundo”, advertiu. “Porém, o Shinra do FFX-2 foi criado pelo Nojima, o escritor do cenário, e quando o imaginou, ele achou que seria bom se as pessoas imaginassem que depois de alguns anos da história do Final Fantasy X- 2, esse Shinra fosse crescer e começar a empresa Shinra. Então, sim, isso é algo que ele insinuou lá.”

Twilight Princess é sequência direta de Majora’s Mask

Os jogos The Legend of Zelda são bem consistentes em história e jogabilidade: Link deve explorar os calabouços de Hyrule, pegar armas e itens necessários pra destruir o malvado Ganondorf e salvar a princesa Zelda. Mas o jogo mais estranho é definitivamente Majora’s Mask, que não traz Hyrule e Ganondorf, enquanto Zelda aparece apenas num flashback. Muitos fãs teorizaram que o jogo se passa numa outra dimensão, conectada a Hyrule de alguma forma.

Em Twilight Princess, há pistas de que o jogo se conecta ao Majora’s Mask, apesar da volta aos paradigmas clássicos. Vários personagens de Twilight Princess têm design que fazem referência ao visual de Majora’s Mask e um elemento da história menciona que uma raça vilã, os Twili, já foi banida pra um misterioso “Reino Sombrio”. E se este “Reino Sombrio” for Termina, conectando diretamente os dois jogos?

Os criadores eventualmente confirmaram a conexão dos dois jogos em uma linha de tempo oficial das várias timelines / realidades alternativas de Zelda, mostrando Twilight Princess diretamente após a Majora’s Mask.

Os Rito de The Wind Waker são descendentes dos Zora

Falando na confusa linha do tempo de Zelda, uma teoria favorita entre os fãs é que os Zora – uma raça aquática – são os antepassados dos Rito de The Wind Waker. Wind Waker tecnicamente ocorre em uma timeline diferente de Twilight Princess e Majora’s Mask, mas seu status como um jogo autônomo foi questionado pelos fãs quase que imediatamente.

O jogo parece, como Majora’s Mask, ser quase intencionalmente não canônico, com uma recriação do herói Link tanto quanto do mundo ao seu redor. Ainda assim, os fãs atenciosos estavam convencidos de que os Rito – uma raça de pássaros humanoides – eram descendentes evolucionários dos Zora.

Os Rito usam um símbolo muito semelhante aos estandartes dos Zora, e um personagem, Medii, menciona uma linhagem que pode ser rastreada até um sábio Zora. Isso é tudo que os fãs precisavam pra teorizar sobre como a evolução aconteceu e sobre como isso afetou a continuidade como um todo – e a teoria foi confirmada num kit de colecionador que incluía uma revista cheia de esboços de personagens e comentários sobre os vários jogos de Zelda.

“Criamos os Rito como a forma evolutiva dos Zora que apareceram em Ocarina of Time e os Korogs como o que os Kokiri se tornaram quando deixaram a floresta”, disse o produtor da série, Eiji Aonuma. “Eles parecem diferentes, mas herdaram o sangue”.

O bebê não é real em Outlast 2

Outlast 2 é um jogo de survival horror sobre Blake, um jornalista investigativo que tenta salvar sua esposa de um culto insano que acredita que ela está grávida do anticristo. O jogo frequentemente usa sequências surreais pra deixar o jogador inseguro sobre a realidade, enquanto os cultistas usam controle mental, corporações sombrias e caipiras loucos, contribuindo pro final ambíguo do jogo.

Depois de escapar do culto, a esposa dá à luz uma criança e diz: “Não tem nada lá”, e morre enquanto Blake segura seu filho em seus braços. Os fãs estavam convencidos de que o jogo estava insinuando que Blake termina o jogo tão delirante quanto o líder do culto maligno, alucinando o nascimento de seu filho sem segurar nada. Há um precedente na série pra isso: no jogo anterior, os jogadores podem ler documentos que detalham os efeitos das gravidezes psicossomáticas depois de serem expostos às torres de controle mental que estão, evidentemente, presentes no Outlast 2.

A confirmação do desenvolvedor foi sutil: um twitt de uma arte de fã de Blake segurando um bebê com a frase “Não tem nada lá”. Sem o contexto da cena original, a linha não pode se referir a nada, além do bebê imaginário, o que muitos fãs viram como confirmação da teoria.

Super Mario 3 é uma peça de teatro

Super Mario 3 é amplamente considerado um dos melhores jogos de todos os tempos, e mesmo que não fosse, contribuiu muito ao game design através de personagens, power ups e fases, que influenciaram pra sempre os jogos Mario Bros e toda a indústria num geral.

É estranho, então, que tantos fãs argumentem que o jogo não seja canônico, alegando que tudo não passa de uma peça de teatro, onde o jogador é a plateia. As evidências são convincentes: a tela inicial é uma cortina vermelha, vários detalhes das fases parecem um palco e no final de cada fase, Mario parece sair pela lateral, vagando num fundo preto e sem nenhuma decoração.

O criador do Mario, Shigeru Miyamoto, confirmou essa teoria num vídeo francamente adorável, onde respondeu às perguntas dos fãs. Agora, como os Chain-Chomps e os nove capitães do Bowser passaram de personagens de teatro pra se tornarem ameaças reais nas sequências, essa é uma dúvida pros fóruns dos fãs.

Apenas uma teoria

E você, gosta de alguma teoria de videogames? Solta o verbo nos comentários! Se esse artigo bombar, farei uma parte dois!

Autor: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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