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5 Filmes de Terror Clássicos que ainda são Assustadores

Por: Bernardo Stamato

31 de janeiro de 2018

Nada como os bons e velhos filmes de terror. Aqui está uma lista de cinco clássicos de terror que continuam tirando nosso fôlego mesmo décadas depois do lançamento. E o melhor: todos esses filmes estão disponíveis em DVD e podem ser alugados em serviços de streaming, como Netflix, Amazon Prime ou iTunes.

Psicose – 1960

O começo do horror moderno. Alfred Hitchcock fez um esforço sem precedentes pra convencer os cinemas a não permitir que ninguém entrasse atrasado nas sessões, pra obrigar os espectadores a assistirem do início ao fim e não perderem nenhuma das muitas reviravoltas do filme. E o público se deleitou com a experiência – é muito divertido gritar numa sala de cinema – e Psicose se tornou o filme em preto e branco mais lucrativo já feito. Quase 60 anos depois, Psicose ainda é chocante. Mesmo com um epílogo desnecessariamente prolongado e diálogo muito expositivo, Psicose é um marco cultural indispensável. É o avô dos filmes de susto.

A Tortura do Medo – 1960

Lançado no mesmo ano que Psicose, A Tortura do Medo tem fortes semelhanças e diferenças com o filme de Hitchcock. A lista de comparações seria longa, então basta dizer que essas obras disputam o título de primeiro slasher. A maior diferença é que Psicose foi um sucesso instantâneo, enquanto o drama psicológico de Michael Powell sobre um assassino que caça mulheres enquanto usa uma câmera portátil pra registrar suas expressões aterrorizadas foi um fracasso notório. Apesar do domínio técnico de Powell ser inegável e dele ser previamente considerado um dos melhores cineastas do Reino Unido, os críticos da época detonaram A Tortura do Medo pelo seu sadismo e depravação – e a carreira de Powell nunca se recuperou.

Hoje, A Tortura do Medo é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos. É fácil ver por que o filme foi odiado em 1960: a temática é doentia e até mais tenebrosa e desagradável, mas não tão intensa quanto Psicose. Sem falar na alegoria infinitamente provocativa e à frente do tempo sobre o voyeurismo a partir da perspectiva de alguém que faz filmes. Assistir ao filme hoje é particularmente atraente, já que as mensagens escuras sobre o voyeurismo parecem bastante relevantes à luz dos reality shows da atualidade, como que colocam tudo lá fora como Keeping Up With the Kardashians, The Real Housewives e, obviamente, Big Brother.

Monstros – 1932

Mais um dos filmes de terror mais importantes já feitos – e que também arruinou a carreira do diretor. Após o sucesso com Dracula, Tod Browning teve liberdade pra fazer o que quisesse. Ele fez, mas 1932 não estava preparado pra um filme tão apavorante. É a história de uma mulher cruel que casa com um anão rico e, depois de desprezar seus amigos de circo e planejar sua morte, se torna alvo de uma vingança violenta. Monstros foi tão chocante que uma mulher no teste de audiência ameaçou processar a MGM alegando aborto espontâneo por causa do filme. Por precaução, o estúdio reduziu drasticamente a obra.

Embora você possa encontrar o roteiro de Monstros online, essa meia hora de filmagem foi supostamente perdida pra sempre. Mesmo em sua versão suavizada – ou talvez porque o filme tenha sido adulterado -, Monstros foi um desastre crítico e comercial. O filme foi banido no Reino Unido por três décadas, mas ao longo dos anos ganhou um status de “cult” em todo o mundo, até ser reavaliado como uma obra-prima incompreendida.

O Jogo Mais Perigoso – 1932

Filmado ao mesmo tempo e nos mesmos sets e também com boa parte do elenco e da equipe de King Kong, a adaptação do conto de Richard Connell foi lançado com bastante violência, visto que antecede o auge do Código Heys de 1934. O filme estrela Joel McCrea e Fay Wray como náufragos que são perseguidos por esporte por um louco em sua ilha selvagem. Embora este seja um filme tanto de terror quanto de aventura, imagens como uma cabeça humana como troféu são bizarras, mesmo pros padrões de hoje.

O Jogo Mais Perigoso é divertido e, embora seja surpreendentemente assustador pra um filme de 85 anos de idade, o conteúdo aqui é tão intenso quanto, digamos, um filme de Indiana Jones.

Os Olhos Sem Rosto – 1960

1960 foi um ano infernalmente fértil pra filmes de terror icônicos. O thriller francês de Georges Franju, Os Olhos Sem Rosto – Les yeaux sans visage – é sobre um médico louco que rapta e mata jovens mulheres pra tentar encontrar um novo rosto pra sua filha, desfigurada após um acidente de carro. A peça central do filme é uma representação gráfica de um transplante de rosto. Quando o filme estreou no Festival de Cinema de Edimburgo, sete pessoas desmaiaram e Franju respondeu: “Agora eu sei por que os escoceses usam saias”.

Os Olhos Sem Rosto foi retalhado na edição, foi porcamente redublado pro inglês e recebeu o título A Câmara de Terror do Doutor Faustus – não tem ninguém chamado Doutor Faustus no filme – pro seu lançamento de 1962 nos Estados Unidos. Ao longo dos anos, os críticos não reconheceram os consideráveis ​​méritos artísticos do filme até que Os Olhos Sem Rosto foi lançado sem censura nos cinemas estadunidenses em 2003, recebendo aclamação universal.

Os Olhos Sem Rosto é como um sonho transformado em realidade pra um fã de terror: não se rende à sanguinolência, mas apela na abordagem lírica e efêmera. Seu impacto na cultura pop é notável. John Carpenter cita o filme como a inspiração pra icônica máscara de Michael Myers em Halloween. O transplante facial entre Nicolas Cage e John Travolta em A Outra Face saiu diretamente deste filme. E não precisa nem explicar a referência em A Pele que Habito, né?

O que você achou dessa lista de clássicos de terror? Recomendaria alguma pérola não citada aqui? Solta o verbo nos comentários!

Author: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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