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5 Chutes no Saco que o Pantera Negra deu no Trump

Por: Bernardo Stamato

18 de fevereiro de 2018

Pantera Negra deixa claro a posição da Marvel em relação a assuntos internacionais

A gente esperava que Pantera Negra abordasse um ou outro assunto polêmico, mas o filme foi muito além e realmente tocou em várias feridas. E não foi só em relação aos EUA, mas sim sobre toda a comunidade internacional, sobre problemas contemporâneos e antigos da Europa, da África e todo o mundo. Aqui estão cinco chutes no saco que o Pantera Negra deu não só do Trump, mas de alguns países poderosos.

Negritude

Esse já era óbvio que ia acontecer. E não é só porque Wakanda é o país mais avançado tecnologicamente e é africano, e sim porque Wakanda se divide em cinco tribos diferentes e cada uma teve sua própria concepção artística, design e interpretação. A Marvel realmente criou toda uma nação fictícia cheia de peculiaridades e singularidades, diversificada e colorida.

Além de Wakanda, Pantera Negra também dá atenção pra africanos e afrodescendentes nos EUA. Tanto a história quanto o contexto atual são citados e o vilão Killmonger vai além de uma cópia do herói, ele representa as várias pessoas moldadas pela violência contra os negros, alguém que poderia ter sido uma excelente pessoa, se não tivesse perdido tudo cedo demais e tivesse experimentado a faceta mais crua e impiedosa do nosso mundo ainda criança.

Feminismo

É só você olhar pro pôster e ver quantas excelentes atrizes estão nesse filme. Lupita Nyong’o interpreta uma guerreira que discorda da reclusão de Wakanda e age pra ajudar os vizinhos africanos desde o início – ressaltando que a primeira cena dela é uma missão de resgate a um grupo de mulheres. Letitia Wright é a irmã do Pantera Negra e a melhor engenheira do mundo, possivelmente mais inteligente do que o próprio Tony Stark. Angela Bassett é a mãe do Pantera Negra, uma rainha sábia e zelosa. E Danai Gurira é a general do exército de Wakanda e líder da guarda pessoal do rei.

Falando na guarda pessoal do rei, ela é composta por amazonas. Além de atrizes em papéis importantes, temos um grupo de guerreiras que participam das cenas de ação e enfrentam os homens de igual pra igual. Não rola um discurso propriamente feminista, mas as mulheres foram mais representadas aqui do que em qualquer outro filme da Marvel até agora.

Refugiados

Wakanda é usada como exemplo de uma nação poderosa que poderia ajudar, mas se abstém. E vários personagens debatem isso ao longo do filme, seja questionando o isolamento, seja defendendo. “Se deixarmos entrarem, eles trarão os problemas deles com eles”.

Não vou dar spoiler aqui, mas Pantera Negra discute tanto os fatores que provocam esse fenômeno quanto as consequências dele, e a Marvel deixa clara a sua opinião de qual ela acha que deveria ser o papel das nações poderosas nesse contexto.

Colonização

Esse é um dos principais dedos nas feridas do filme. Se por um lado Wakanda se isola, por outro Estados Unidos e países Europeus fizeram uma enorme bagunça não só na África, como nas Américas e na Ásia também. Desde cenas num museu de relíquias africanas, até uma personagem chamar um estadunidense de “colonizador” como quem cita a etnia caucasiana dele, esse tema permeia boa parte de Pantera Negra.

E não é apenas uma questão histórica, é também as consequências e a realidade atual que foi moldada por esse crime. Inclusive, uma das principais consequências da colonização é o próximo tópico.

Tráfico internacional de armas

A África vive em guerra até hoje, mas quem fornece as armas pras nações em conflito? Pois é, novamente as nações poderosas. As mesmas nações que não podem receber refugiados são aquelas que vendem as armas, alimentam as guerras e geram os refugiados. Seria irônico, se não fosse trágico.

Ulysses Klaw, o personagem de Andy Serkis, é um traficante de armas que já havia sido visto roubando Vibranium no Vingadores: Era de Ultron. Também conhecido como Garra Sônica, ele é um belo exemplo de como é catastrófico vender armas poderosas pra nações em conflito. E o filme vai além e vira a mesa: e se Wakanda vendesse armas pra serem usadas contra as nações poderosas? Não vou falar mais nada pra não dar spoiler.

Faltou alguma coisa?

Pantera Negra é um dos poucos filmes mainstream que se presta a expor não só um assunto polêmico, mas cinco. Pessoas com opiniões políticas e sociais extremistas certamente se incomodaram. Tanto quanto muitos amaram, com certeza houveram aqueles que repugnaram as críticas expostas no filme.

Houve reclamações sobre Pantera Negra se omitir em relação a algumas outras militâncias, mas não cabia mais críticas, ficaria sobrecarregado e artificial. O filme consegue ser sincero e assertivo em seu posicionamento e consegue ilustrar como vários problemas mundo afora são nossos problemas também. Um enorme passo foi dado, devemos reconhecer e valorizar isso.

E você, tem alguma opinião sobre as críticas do Pantera Negra? Concorda? Discorda? Sentiu falta de alguma coisa? Solta o verbo nos comentários!

Author: Bernardo Stamato

Vencedor do Concurso Cultural "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, pós-graduado em Produção Textual, tradutor e escritor (https://www.wattpad.com/user/BernardoStamato). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS4 também.

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